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A grelha de partida vista da última linha

89 carros, dispostos três a três, a largarem para as 24 Horas TT de Fronteira é um espectáculo inesquecível. E, visto da última fila da grelha, ainda mais...

Rui Cardoso (www.expresso.pt)

Podia começar esta crónica debitando um carregamento de lugares comuns, do género "os últimos são os primeiros", "perder e ganhar, tudo é desporto" ou "o que importa é competir". Mas não vou arranjar desculpas para vos dizer que larguei da última fila da grelha de partida. Vou simplesmente contar-vos a verdade: a "junta da cabeça" queimou nos treinos e, além de passarmos a noite de volta do carro, não conseguimos completar o número mínimo de voltas para a tomada de tempo.

Enquanto estacionava no derradeiro lugar da grelha ia pensando em todas as combinações de palavras que se podem fazer a partir do mote "junta da cabeça": junta médica, junta de bois, junta militar ou, até, para dar um tom descentralista, junta de freguesia...

O que vale é que lá atrás a boa disposição reinava. Os concorrentes da equipa 35 que pelo segundo ano consecutivo trouxeram para Fronteira uma Peugeot 504 pick-up, já de si um veículo extraordinário, resolveram fazer como na Fórmula 1 e aquecer os pneus, só que, em vez de cobertores térmicos aquecidos eletricamente usaram mantas alentejanas...

Dado o sinal da partida, lá fizemos algumas fintas aos adversários e, no meio da confusão, lá saímos da reta da meta numa posição um pouco menos desonrosa. Como a compressão do motor já não era a mesma, "destrocava" às 2500 rotações o que, se tirava andamento ao nosso Patrol GR, já com 13 anos de corridas às costas, evitava que o motor se "embrulhasse" todo.

Às primeiras voltas, a pista apresentava-se relativamente lisa, ainda que com algumas armadilhas, fruto dos regos escavados e das pedras levantadas pelos "aviões" de 200 e 300 cavalos que por aqui andam a disputar os lugares cimeiros (os jipes e pick-ups mais próximos dos modelos de série têm de 120 a 150 cavalos). As ribeiras estavam baixas, embora o cruzamento a toda a velocidade do Rio Grande já desse para salpicar os espetadores.

Adivinha-se uma noite muito fria, provavelmente com denso nevoeiro mas nada que intimide os duros do pelotão. Com três horas de prova, apenas havia três carros da frente na mesma volta (16ª), sendo a primeira posição ocupada pelo protótipo BMW do Vodafone Team (Pedro Lamy/Luis Silva/João Pedro Fontes e António Coimbra).