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Cultura

Tesouro de São Januário troca Nápoles por Roma

A maior coleção de pedras preciosas do mundo está pela primeira vez exposta na íntegra ao público, em Roma.

Guardados desde o fim da II Guerra Mundial no cofre de um banco, os objetos mais valiosos do Tesouro de São Januário estão desde hoje expostos em Roma, numa exibição que ficará  patente ao público até 16 de fevereiro próximo.

A riqueza oferecida durante séculos pelos devotos do santo, patrono de Nápoles, é de um valor incalculável. O tesouro é considerado a maior coleção de pedras preciosas do mundo e suplanta largamente outras coleções de referência, as joias do Czar da Rússia e da Coroa Britânica.

Uma das estrelas da coleção, enriquecida ao longo dos anos pelas ofertas feitas por papas, reis, imperadores (Napoleão Bonaparte foi um deles), aristocratas europeus e ricas famílias napolitanas, é um colar de 1679. A peça é composta por 700 diamantes, 276 rubis e 92 esmeraldas e "conta a história da Europa", diz, citado pela Reuters, Paolo Jorio, diretor do Museu de Nápoles, onde normalmente uma parte da exposição é exibida. 

A outra estrela da exposição é uma mitra de oito quilogramas, feita de ouro e prata, coberta com mais de três mil diamantes, 164 rubis e cerca de duzentas esmeraldas. Para os gemólogos, a mitra de São Januário é uma coleção impressionante de pedras preciosas provenientes de minas colombianas.

Para os devotos, as esmeraldas simbolizam a união de São Januário à eternidade, os rubis o sangue do mártir e os diamantes a sua fé inabalável. A fé dos católicos em São Januário leva-os a acreditar que o sangue do santo, guardado numa ampola de vidro inserida num relicário de prata, se liquidifica duas vezes por ano, uma das quais a 19 de setembro, data da sua morte. Os crentes defendem que numa dessas ocasiões a liquefação do sangue impediu que o Monte Vesúvio entrasse em erupção. 

Mas a exposição de Roma não se limita àquelas duas obras de arte. Há pinturas, documentos e objetos litúrgicos, como crucifixos e cálices, e até candelabros de ouro e prata, também eles adornados por pedras preciosas, num total de 70 peças.

Escusado será dizer que o transporte deste tesouro entre Nápoles e Roma decorreu sobre fortes medidas de segurança. Segundo Paolo Jorio "as peças foram distribuídas por vários camiões blindados e sairam do museu do Tesouro de São Januário escoltadas pelos carabinieri, enquanto a multidão aplaudia à medida que os veículos iam passando".

Apesar da riqueza da exposição, é pouco provável que o Papa Francisco a visite, ele que tem apelado a um estilo de vida mais simples para o clero e maior atenção aos pobres.

Colar de São Januário, considerado uma das peças de joalharia mais valiosas do mundo
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Colar de São Januário, considerado uma das peças de joalharia mais valiosas do mundo

Mitra de São januário, em ouro e prata com pedras preciosas incrustadas
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Mitra de São januário, em ouro e prata com pedras preciosas incrustadas

Algumas estátuas em prata patentes na exposição
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Algumas estátuas em prata patentes na exposição

Estátua em prata de São Januário e São José
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Estátua em prata de São Januário e São José

Busto de São Januário
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Busto de São Januário

Detalhe de uma custódia de ouro
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Detalhe de uma custódia de ouro

Mitra de ouro e prata
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Mitra de ouro e prata