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Televisões alemãs, francesas e britânicas reagem aos gigantes do streaming

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Soa o alarme. O tempo urge. Enquanto a ‘tsunami’ do streaming norte-americano se vai apoderando das preferências do consumo televisivo nalguns dos maiores países europeus, é dado o toque a reunir. Alemães, ingleses e franceses – cada um à sua maneira e entre as suas próprias fronteiras -, aceleram nas propostas alternativas para reter os públicos face à ofensiva californiana (Netflix, Amazon Prime e HBO à cabeça do pelotão)

Luis Proença

Na Alemanha, a ProSiebenSat.1 – um dos principais grupos privado de televisão, anunciou a aliança com a Eurosport (detida pelos norte-americanos da Discovery) com o intuito de lançar um serviço de VOD (“Video on demand”) no ano que vem. O plano passa agregar o “crème de la crème” dos conteúdos próprios e licenciados pela ProSieben 7TV para a Alemanha a um “bouquet” de direitos de transmissões desportivas geridos pela Eurosport numa única plataforma de streaming, cujo nome ainda não é público.

É antecipável que o catálogo de oferta venha a somar os programas de maior audiência dos canais generalistas (Pro 7 e Sat.1), os conteúdos premium da Maxdome (a plataforma de streaming criada e explorada pela ProSieben, em que se incluem as séries de sucesso “NCIS”, “Criminal Minds”, “Big Bang Theory”, etc.) com o apetecível menu de transmissões desportivas da Eurosport (jogos da Bundesliga, Tour de France, Jogos Olímpicos, etc.). A ProSieben e a Discovery contam abrir as subscrições da nova plataforma até à próxima primavera e têm por objetivo alcançar os dez milhões de assinantes em dois anos.

No Reino Unido (população: 65,6 milhões de habitantes pelos censos de 2016), a Netflix possuirá 8,2 milhões de subscritores e a Amazon Prime Video cerca de 4,3 milhões. Nas ilhas, a aliança materializa-se entre operadores televisivos concorrentes, público e privados. A próxima frente de resistência passa pela assinatura de um acordo de cinco anos entre a BBC, ITV e Channel 4 para investir 140 milhões de euros na transformação da Freeview, a plataforma digital terrestre britânica, numa “plataforma hibrida” que venha a disponibilizar o melhor da televisão aberta e da televisão “on-demand” aos espectadores.

Os franceses avançam com outra ambição. Os dois principais grupos comerciais – TF1 e M6, associados aos canais públicos “France Télévisions”, projetaram o ‘Salto’, um serviço de streaming combinado que promete o melhor dos conteúdos dos três operadores. Apesar da crescente penetração da Netflix entre os gauleses (crescimento de 21% para 37% no ano passado), as audiências somadas dos canais tradicionais franceses valem ao todo cerca de 60%.