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Yucatán: baía de luz

No México é possível viver momentos únicos ao mergulhar nos cenotes. Atreva-se a experimentar

Vasco PInhol (www.expresso.pt)

O cenário é uma baía que mais parece um cenário. Os dedos dos pés descalços enterram-se na areia encharcada e quente, branca como a luz, e há um marulhar pequeno de pedaços de coral que chocam alegremente entre si na linha da maré. O azul-petróleo do mar, numa combinação colorimétrica única, convida o olhar (que convida o corpo), a seguir o horizonte.O Yucatán, terra dos maias, é a península que dá ao México presença no Caribe. Quando poisamos, passados os primeiros momentos de deslumbre com o mar, assalta-nos uma mística reverência ao contemplar a vastidão agreste da selva, que adivinhamos repleta de referências maias milenares.

A selva está repleta de buracos a céu aberto, chamados cenotes, interligados subterraneamente e cheios com água potável (os cenotes constituem a maior rede de grutas subaquáticas do planeta, que se estende por centenas de quilómetros), que serviam aos maias como portas de entrada para o submundo da sua religião. Selva dentro, são ainda visíveis os restos das grandes plantações de chicle, uma árvore endémica cuja seiva era utilizada para produzir a goma das pastilhas elásticas até aos anos 60 - altura em que foi substituída por borracha sintética - e que deu ao mundo as incontornáveis chicletes.

O Yucatán tem assim duas faces, uma voltada à selva, onde se sente o calafrio dos tempos e se adivinham sacrifícios inenarráveis nas faces fechadas dos nativos, e a outra voltada ao mar, cheia de promessas límpidas e alegrias luminosas, como esta baía que as tartarugas ciclicamente escolhem, desde o princípio dos tempos, para pôr os seus ovinhos. A baía, em forma de meia-lua de areia coralina, está protegida do mar de fora por uma barreira de coral que assoma à superfície e que serve de crivo natural, não deixando passar os peixes maiores. Por isso, junto à maré, viverá momentos 'national geographic' quem quer que se atreva a saltar para a água com um pedaço de pão na mão. É um sítio - por excelência - para as famílias com crianças pequenas, crianças cujos barquinhos já se tenham feito ao mar mas que não tenham ainda visto nenhuma tempestade. Aqui, o sol aperta, mas a água convida.

Para os verdadeiros amantes do mar que não se fiquem só por molhar os pezinhos, estas águas encerram uma surpresa: o segundo maior recife de coral do mundo. Os mergulhos são longos e pachorrentos, porque se mergulha praticamente sem nadar, pairando-se sobre uma corrente sempre paralela à costa. As linhas de coral formam canyons onde se escondem as tartarugas e se mostram as grandes barracudas, cardumes de blue tangs e inúmeros casais de peixes-borboleta pintados à mão por um obsessivo. À superfície, as bolhas dos mergulhos são acompanhadas pelo barqueiro, que no final recolhe os mergulhadores. Para emoções mais selectas mergulha-se na selva, nos cenotes, numa água doce tão limpa que mais parece não estar lá. E para quem queira tirar o curso de mergulho, em quatro ou cinco dias fica-se habilitado a entrar neste mundo de silêncio e a conhecer e amar esta nova dimensão - inesperadamente estruturante - da vida.

  

DICAS

Voos especiais de Lisboa aos domingos e segundas-feiras (Orbest e White) com promoções especiais frequentes, que podem chegar aos 100% de desconto para o segundo passageiro. Recomenda-se o Hotel Gran Bahia Principe (5*), 90' a sul de Cancún, desde €1040/pessoa em regime de all inclusive, próximo dos principais monumentos maias.

Os preços variam e há muitas promoções a correr, contactar, por exemplo, http://www.polis.pt para mais pormenores.

 

Publicado na Revista Única do Expresso de 1 de Maio de 2010