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Viagens ao continente encantado

Há destinos em África que nos marcam para a vida. No continente dos grandes espaços, as paisagens cortam a respiração. São lugares onde o homem ainda não pôs a mão. Ou ainda só pousou um dedo... Confiamos-lhe um segredo?

Katya Delimbeuf (www.expresso.pt)

MOÇAMBIQUE  ILHA DE VAZIMI

HÁ SEIS SÉCULOS, os portugueses foram os primeiros a pisar a areia fina e branca como açúcar e a mergulhar os pés nesta água cálida, de um azul incrível. Depois, o segredo diluiu-se no Índico, para só voltar a emergir séculos mais tarde. A ilha de Vazimi, no arquipélago das Quirimbas, a norte de Moçambique, voltou a ser descoberta quando Christopher Cox e Julie Garnier a descobriram numas férias. Em 2006, o Vazimi Lodge abria portas, apostando na privacidade e na discrição, para não disseminar demasiado o segredo... As doze villas 'Robinson Crusoe' (o nome diz tudo) transformaram-se num paraíso privativo. Da cama vê-se o mar, esse mar turquesa no qual pode mergulhar ao fim de dez passos... Cada vila tem decks de madeira, piscina privativa, sofás e espreguiçadeiras convidativos. E a tal extensão de areia fina e branca como açúcar é quase sempre só sua. Este é o seu domínio, Robinson. A partir daqui, todas as escolhas são possíveis: mergulhar para ver os recifes de corais e as várias espécies de tartarugas, pescar, passear ao longo da praia, na companhia de macacos ocasionais, ouvir o canto de algumas das 112 espécies de pássaros que ali existem.

MAURÍCIAS ILE AUX CERFS

OUTRA (sábia) descoberta dos portugueses, em 1505, as Ilhas Maurícias são uma excelente opção de praia no continente africano. Se a Grand Baie, a norte da ilha principal, já acusa algum movimento turístico, na Ile aux Cerfs (Ilha dos Veados), a 15 minutos de barco, a tranquilidade é garantida. Alçado em cima da baía Trou d'Eau Douce, o hotel Le Touessrok oferece exclusividade e bom-gosto. As vilas, debruçadas sobre as águas mornas e translúcidas do Índico, permitem-lhe desfrutar de tudo - da piscina privativa a um mordomo 24 horas por dia.

Todas as actividades são recomendadas: do campo de golfe, de 18 buracos (par 72), desenhado por Bernhard Langer, ao spa da Givenchy, passando pelo Clube de Ténis, o clube para as crianças ou toda a panóplia de actividades náuticas e aquáticas (canoagem, caiaques, windsurf, barco à vela, mergulho, parapente, vólei ou aulas de ginástica).

Só corre um perigo: é sair das Maurícias a concordar com Mark Twain, quando escreveu: "Fica-se com a ideia de que as Maurícias foram criadas antes do Paraíso - e depois Deus fez uma cópia."

SEYCHELLES ILHA FRÉGATE

CHEGA-SE de teco-teco, numa daquelas avionetas pequeninas, como nos filmes, e logo no ar começa a viagem... Os olhos brilham, a boca descai ligeiramente ante a beleza do cenário, a cor da água, a visão daquele rochedo no meio do mar a que vai chamar casa por uns dias. 3km2 de areia, selva e plantações de frutas e legumes que vão directas para o restaurante gourmet e para o seu prato. As 16 vilas, perfeitamente integradas no meio da vegetação, oferecem-lhe a serenidade do som do mar, já que não há janelas, e a suavidade ondulante das cortinas de linho branco. Da varanda, o azul da piscina funde-se com o turquesa do mar. Lá fora - se é que vai querer sair -, há passeios para conhecer as maravilhas da ilha, onde se incluem as famosas tartarugas gigantes, ex-líbris das Seychelles, e as espécies raras de pássaros. Não parta sem jantar, uma vez que seja, na casa da árvore, sem fazer uma refeição à luz das estrelas ou sem se deixar levar por uma massagem no spa.

ÁFRICA DO SUL AS VINHAS DO CABO E KALAHARI

ESTE ANO, todos os olhos estão postos na África do Sul, à conta do Campeonato do Mundo de Futebol. Mas se for ao país mais austral do continente africano, deixamos-lhe aqui sugestões de passeio: a Cidade do Cabo e os seus vinhedos, o deserto do Karoo e o do Kalahari. A Norte, no deserto do Kalahari, recomendamos-lhe ficar no Tarkuni Lodge, na Reserva Tswalu Kalahari. Neste lugar remoto e exclusivo, um máximo de doze hóspedes dividem-se por quatro quartos. Aqui vive-se a experiência do deserto e a paisagem, em especial ao fim do dia, é de cortar a respiração.

Dois safaris por dia permitem encontros com os animais, e guias experientes fazem safaris a pé. Se optar pela região semidesértica do Karoo (a 'terra da sede'), aconselhamos-lhe o Mountain Retreat, na Reserva Privada de Samara. Isolado na montanha, com vista para as planícies, garante uma imersão total na natureza. Os apreciadores de vinho e golfe não podem perder Capetown, onde as famílias produtoras acolhem os hóspedes nas quintas, em quartos com vista para o vinhedo e as montanhas. Há várias rotas; Stellenbosch, Franschhoek, Wellington, Paarl. Mas é em Nova Constantia que se aloja o coração da vinha. Sugerimos-lhe o hotel Nova Constantia ou Groot Constantia, a quinta mais antiga do país dedicada ao vinho.

QUÉNIA MASAI MARA

É A IMAGEM idílica que temos de África. Da África Romântica, da savana, dos animais, do filme "África Minha". E nós, espectadores convidados daquela beleza, daquela terra sem fim. No Mara Bushtops Camp, uma reserva de 60000 hectares na fronteira do Masai Mara, todos os bichos da selva estão na ponta do telescópio - e podemos vê-los bem mais de perto, a escassos metros, nos games drives (safaris de jipe), duas vezes ao dia. De Julho a Outubro, pode testemunhar a força da grande migração, quando felinos, zebras, gazelas, búfalos e girafas atravessam o Serengeti. Ao entardecer, mergulhe na piscina do seu deck e aprecie a magia do pôr-do-sol africano. E no fim de um dia de emoções fortes, adormeça ao som da bicharada... As doze luxuosas tendas têm vista para a planície infindável e, sem janelas, o som da savana será a sua banda sonora.

TANZÂNIA ILHA DE MAFIA

ESTA É OUTRA Tanzânia, menos conhecida que Ngorongoro ou Tanganika, ou mesmo Zanzibar. Nas ilhas quase secretas do país incluem-se Chole, Pemba ou Mafia, que conta com um parque marinho de 821 km2. Aqui, o conceito de safari é marinho, com 400 espécies de peixes a fazer as delícias dos mergulhadores. Também pode ver tubarões-baleia. Devagar, devagarinho (é o que quer dizer pole pole, em swahili), chega-se ao Pole Pole, onde nos anunciam que o tempo parou. Os empregados do lodge aparecem de canoa, como sempre fizeram. Sete bungalows plantados em cima da areia, entre os coqueiros, convidam à preguiça. Cortinas de linho ondulam no lugar das paredes e uma rede embala as sestas. Entre banhos de mar ou snorkeling, pode encomendar um piquenique num banco de areia, usufruir de uma massagem ou aproveitar para treinar a difícil arte do dolce fare niente. Por estas e por outras é que o Pole Pole ganhou o prémio da prestigiada revista "Condé Nast Traveler" como um dos 25 Melhores Eco-Lodges do mundo.

MARROCOS MARRAKESH

POUCOS SÍTIOS são tão cosmopolitas como Marrakesh. Cheira a especiarias, camelos e burros, há gente por todo o lado - e no entanto, paira um exotismo e um bom-gosto que nos faz lembrar a Europa. A presença de muitos empreendedores estrangeiros, nomeadamente franceses e italianos, contribui para a riqueza da oferta de Marrakesh, aliada à hospitalidade única dos marroquinos. Agora que a TAP voa directamente para lá (a ligação inaugurou este mês), não há desculpa para não ir descobrir o Riad 72, um pequeno palácio de quatro quartos transformado em boutique-hotel. Manteve o pátio interior tradicional, piscina e terraço com vista panorâmica sobre a medina, mas aliou a isto uma decoração moderna e depurada. Tem hammam, solário, e situa-se no bairro dos antiquários de Dar el Bacha. Fora da medina, a 15 minutos, ergue-se o opulento Amanjena. De arquitectura inspirada nos palácios dos sultões, tem grandiosidade e um estilo irrepreensível.

Publicado na Revista Única de 5 de Junho de 2010