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Varsóvia chega à maioridade

Na capital da Polónia, as ruas fervilham de bares, restaurantes, clubes e galerias

Ginanne Brownell (www.expresso.pt)

SÓ resisti seis meses em Varsóvia. Fui de Londres para lá no Outono de 2000 e a cidade ainda sofria a sua ressaca comunista: edifícios cinzentos erguiam-se tristonhos ao longo de ruas onde eram raros os bares e os restaurantes. A cidade deprimiu-me, por isso fui embora. Mas passada uma década, Varsóvia está diferente, mostrando as vantagens da adesão da Polónia à União Europeia (desde 2004). A linha do horizonte está congestionada de gruas; seis novos grandes museus vão abrir nos próximos anos. As ruas fervilham de bares luxuosos, restaurantes, clubes e galerias. Podem encontrar-se turistas de Israel ou da Índia lutando com palavras como prosze (que significa 'por favor' e é pronunciada como Prussia) e dziekuje ('obrigado', pronunciada jen-coo-yah).

Esta nova energia deriva do facto de a Polónia ter sido o único país da União Europeia a registar crescimento positivo no ano passado, esperando-se o mesmo para este ano. De acordo com a FDI Markets, que acompanha os investimentos transnacionais, a cidade já viu 707 milhões de euros de despesas feitas por estrangeiros nos primeiros três meses deste ano (Berlim, em comparação, recebeu apenas 85 milhões). Duas décadas depois da queda do Muro de Berlim, Varsóvia está a tornar-se rapidamente numa das grandes cidades europeias.

No acolhedor bairro da capital chamado Nomia e localizado na Nowe Miasto (cidade nova), a lua jorra das janelas, iluminando paredes pintadas de um alegre azul-celeste e uma confortável confusão de cadeiras de madeira e de veludo verde e cinzento. A ementa acrescenta um toque excêntrico aos clássicos pratos polacos, como o arenque e batatas com rúcula ou costeletas assadas no krupnik, um licor doce com sabor a mel. No bizarro KOM, instalado na primeira central telefónica da Polónia, a decoração apresenta candeeiros feitos com telefones e desenhados pelos seus proprietários, bem como lustres inspirados em Copérnico, baseados no modelo de sistema solar deste astrónomo polaco. As entradas incluem um foie-gras espectacular com molho de chocolate branco e chutney de damasco e para o prato principal é difícil ignorar o lombo de borrego com um puré de beringela e emulsão de queijo de cabra.

Sabores asiáticos em alta 

A excelente comida asiática está também em ascensão em Varsóvia. O Lemongrass é um esmerado restaurante de fusão, revestido de verdes e azuis vivos, que combina pratos tailandeses, chineses e indonésios. E há um número crescente de modernos restaurantes indianos na cidade, incluindo o India Buddha e o Bollywood Lounge, oferecendo excelentes refeições e chiques interiores indianos com budas, esculturas em madeira, grandes lanternas e poltronas de veludo.

Em Varsóvia os bares sempre proliferaram, mas agora há uma série aparentemente infindável de lugares convidativos onde se pode beber um copo. Poucos desses lugares são tão irónicos sobre o passado comunista do país como o Przekaski Zakaski Bistro a la Fourchette. Situado numa das artérias principais, no n.º 13 da Rua Krakowskie Przedmiescie, este animado vodka bar - que está aberto 24 horas e está muitas vezes tão cheio que os clientes transbordam para o passeio para beberem os seus shots - uma ironia aos tempos mais simples em que os bares serviam apenas vodka e snacks como arenque com pão e cebola. É um óptimo lugar onde parar para uma bebida rápida antes de seguir pela Nowy Swiat em direcção a um grupo de cinco pequenos bares conhecidos colectivamente como pawilony. Nenhum deles é um destino em si, mas atraem uma multidão jovem e animada a caminho das discotecas.

Varsóvia tem algumas das melhores discotecas da Europa e ainda não tem pretensões a cordões de veludo vermelho como os que se vêem em Ibiza ou Londres. A Opera Club, instalada por baixo do belíssimo teatro de ópera, tem corredores abobadados de tijolo, cocktails caros e DJ internacionais. A Platinium - com a sua pista de dança branca quadriculada - e área VIP - é um lugar ofuscante onde se pode dançar pela noite fora (platiniumclub.pl), ao passo que o Warszawa Powisle Klub é um local íntimo, situado num quiosque de venda de bilhetes de comboio remodelado. Para algo um pouco mais informal, o bairro de Praga cada vez mais boémio, na outra margem do rio Vístula, apresenta três novas discotecas: Saturator, Hydrozagadka e Klub 55, todas no mesmo pátio.

Melhor oferta cultural 

A capital polaca também está a levar a cultura cada vez mais a sério. O interactivo Museu Fryderyk Chopin abriu ao público em Abril, marcando o bicentenário do nascimento deste compositor polaco. O museu - que inclui livros digitais e jogos de música virtual para crianças - alberga a maior colecção do mundo de objectos relacionados com Chopin, incluindo manuscritos, pautas e correspondência.

Novos museus. O Centro de Ciência Kopernik - nome do famoso astrónomo polaco - deverá abrir no final do ano e apresentará centenas de objectos e experiências interactivas demonstrando, por exemplo, como as ondas criam energia.

No Museu da História dos Judeus Polacos, as sete exposições permanentes cobrirão mil anos de história judaica na Polónia, incluindo os primeiros colonatos judeus durante a Idade Média e a revolta do gueto em 1943. O Museu da História da Polónia, com um orçamento de 91 milhões de euros, tem abertura prevista para 2013. Terá ainda uma colecção permanente sobre história política, cultural e social do país. O Museu de Arte Moderna, que incidirá sobre a arte contemporânea da Europa Central e Oriental, deverá abrir com novas instalações em 2014. Enquanto isso, o hip 1500m2 é um novo espaço de exposições temporárias, com arte, concertos, filmes e peças teatrais, enquanto Fabryka Trzciny é uma mistura interessante de teatro, galeria, restaurante e sala de espectáculos. É claro que é hora de reavaliar por que motivo me afastei.

LOCAIS IMPERDÍVEIS

VISITAR:

 Centro de Ciência Kopernik

(estreia no final do ano)

 Chopin Museum

DORMIR:

 Le Méridien Bristol

 InterContinental Hotel

 Hotel Rialto

Publicado na Revista Única de 5 de Junho de 2010