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Gabriela Ruivo Trindade ganha prémio Leya

A vencedora do Prémio Leya, a residir em Londres há quase nove anos, espera que a distinção possa ser um momento de viragem. "Nem queria acreditar. Nunca pensei ganhar."

Gabriela Ruivo Trindade, a vencedora da sexta edição do Prémio Leya, com a obra "Uma Outra Voz", estava dentro do carro, prestes a arrancar, quando recebeu a boa notícia. "Foi uma sorte. Se já estivesse a conduzir nem teria atendido a chamada", disse ao Expresso, entre gargalhadas.

Natural de Lisboa, com 43 anos, mas a residir em Londres há cerca de nove, a autora é a primeira mulher a conquistar este prémio, tendo sido escolhida, segundo o júri, pela sua "consistência narrativa", nomeadamente "na caracterização das personangens femininas".

O livro premiado começou a ser escrito em 2008 e "demorou muito" a chegar ao fim. Conta "um pouco" a história da sua família e tem por cenário Estremoz, "era ainda vila" na altura em que decorre a ação, "no princípio de século XX".

A escrita é algo que vem de longe, conta Gabriela Ruivo Trindade, "sobretudo contos e crónicas", mas publicar sempre se revelou "complicado". A própria obra agora distinguida, "Uma Outra Voz", chegou a ser enviada para uma editora, que a recusou. "Acabou por ser positivo,. Revi o livro e alterei-o, ficou melhor", admite.

Quanto ao futuro, "ainda estou a tentar digerir". Tem, no entanto a expetativa de que o prémio possa marcar um ponto de viragem. Psicóloga de formação, Gabriela está atualmente desempregada e gostava de encarar a escrita como uma opção mais séria".

"O melhor do prémio talvez seja isso mesmo: poder escrever e publicar", confessou.

Edição muito concorrida

O concurso da Leya recebeu este ano 491 originais de 14 países. O grupo editorial tinha anunciado recentemente que 2013 representa a edição "mais concorrida e internacional de todas".

No valor de 100 mil euros, este é o prémio de maior valor pecuniário para a literatura de expressão portuguesa. O ano passado foi atribuído a Nuno Camarneiro, pela obra "Debaixo de Algum Céu" .

De acordo com as regras do concurso, os inéditos são analisados sem que o júri conheça os autores. Só depois de a obra vencedora estar escolhida é que se abrem os envelopes que identificam a identidade dos escritores.

Murilo Carvalho, João Paulo Borges Coelho e João Ricardo Pedro foram os vencedores das edições anteriores. Em 2010 o prémio não foi atribuído, dada a falta de qualidade dos originais a concurso.