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Dois projetos portugueses finalistas do mais importante prémio de arquitetura europeu

Centro de Artes Contemporâneas dos Açores é um dos finalistas do prémio Mies van der Rohe

FOTO JOSÉ CAMPOS

Centro de Artes Contemporâneas dos Açores e Centro de Alto Rendimento de Remo do Pocinho entre os eleitos.

De uma lista inicial de dezanove projetos portugueses candidatos a aceder à fase final do Prémio Mies van der Rohe de arquitetura, o mais importante prémio de arquitetura europeu e um dos mais prestigiados a nível internacional, dois entraram na lista de 40 dos quais sairão os cinco finalistas no final do mês.

Trata-se do Centro de Artes Contemporâneas de Ribeira Grande (Açores), assinado em conjunto por Francisco Vieira de Campos, Cristina Guedes e João Mendes Ribeiro, e do Centro de Remo de Alta Competição do Pocinho, do ateliê "SpacialAr-TE, dirigido por Álvaro Fernandes Andrade. O vencedor será anunciado a 8 de maio.

Com inauguração prevista para 27 de março, o Centro de Artes dos Açores resulta, disse ao Expresso Cristina Guedes, da "recuperação de uma preexistência feita com a preocupação de lhe dar unidade com as novas construções".

O edifício aproveita as instalações da antiga fábrica do tabaco e do álcool e, por isso mesmo, mantém um aspeto industrial, mesmo com o novo edificado, onde ficarão a fábrica de cultura/produção de arte, as reservas, sala multiusos, artes performativas, oficinas, laboratórios, estúdios-ateliês de artistas.

Construído entre 2007 e 2014, o Centro de Artes, sublinha Cristina Guedes, "procura unir a diferença de escala e a diferença de idade das suas partes" através da manipulação pictórica "da forma e da materialidade dos edifícios - o existente marcado pela alvenaria aparente de pedra vulcânica e os novos edifícios marcados pela forma abstrata".

Centro de Alto Rendimento

Quanto ao Centro de Alto Rendimento de Remo do Pocinho parte também de uma preexistência, fica marcado por terreno muito particular e pelas características específicas de um programa destinado a instalações especificamente concebidas para o treino de atletas de nível olímpico.

Trata-se de um programa extenso, com 8 mil metros quadrados e 84 quartos, destinado a 130 potenciais utilizadores. Há, assim, três zonas charneira: Social, Alojamento e Treino.

Num texto elaborado por Álvaro Fernandes Andrade fala-se da reinterpretação de dois elementos de construção secular da paisagem duriense: "o omnipresente socalco, uma recente forma de 'habitar' este marcadamente delicioso vale, e os grandes volumes brancos das grandes unidades construídas na paisagem, em particular os das grandes quintas de produção vinícola, formalmente complexos e volumetricamente diversos, muitas vezes resultantes de uma construção ao longo do tempo, decorrentes da sucessiva (re)formulação das exigências da atividade agrícola".

Os dois projetos portugueses foram pré-selecionados pelo arquiteto italiano Cino Zucchi, presidente do júri, coadjuvado por Margarita Jover, fundadora e sócia principal, com Iñaki Alday, de um ateliê de arquitetura paisagista em Barcelona, além do dinamarquês Lene Tranberg, do australiano Peter L. Wilson, do chinês Xiangning Li, do jornalista britânico Tony Chapman e do empresário austríaco Hansjörg Mölk.

420 projetos em exposição

Durante as próximas semanas, os membros do júri visitarão os projetos que vierem a ser incluídos na lista dos cinco finalistas. No dia 7 de maio, os autores terão a oportunidade de proceder à apresentação das suas obras durante uma cerimónia que decorrerá em Barcelona, antes da decisão final do júri.

A exposição dos 420 projetos nomeados (pela Ordem dos Arquitetos, no caso português) estará patente ao público até 19 de março na Escola de Arquitetura de Barcelona.

Espanha e Itália, com cinco projetos cada, são os países com mais candidatos a vencer esta edição de um prémio lançado em 1987 pela Fundação Mies van der Rohe e pela Comissão Europeia. O primeiro vencedor, em 1988, foi Álvaro Siza Vieira com o edifício do Banco Borges & Irmão, em Vila do Conde.