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As árvores e os sonhos de dez artistas na galeria Reverso

Até 31 janeiro, pode ver na Reverso uma exposição de homenagem a Ana Isabel Rodrigues, uma mulher que abriu a sua primeira galeria em 1964 e trabalhou até desaparecer em 2012.

'Até as árvores são sonhos' foi o título escolhido por Paula Crespo para a exposição que assinala os 15 anos da Galeria Reverso e homenageia Ana Isabel Rodrigues, desparecida em janeiro de 2012, e sócia de Paula neste projeto.

Paula desafiou dez artistas plásticos que trabalham com a Reverso para desenharem árvores e assim construírem este tributo a Ana Isabel. "As árvores tinham tudo a ver com ela", explica Paula Crespo ao Expresso.

Os dez aceitaram fazer três desenhos cada. A exposição aloja 30 desenhos dos artistas 'residentes' da Reverso e mais dois de Manuel Costa Cabral e Jorge Martins, "velhos amigos da Ana Isabel.

Para além dos desenhos de Helena Lapas, Henrique Ruivo, Fala Mariam, João Moreira, Jorge Martins, Manuel Baptista, Manuel Costa Cabral, Maria José Oliveira, Pedro Calapez, Pedro Portugal, Sérgio Pombo e Teresa Magalhães, "temos 45 peças de joalheria, de joalheiros portugueses e estrangeiros, e uma cerâmica da ceramista e designer Beatriz Horta Correia" diz Paula.

No catálogo da exposição a investigadora Ana Ruivo escreve: "Foi através de Ana Isabel que o núcleo de artistas aqui representado integrou a programação da galeria. O enunciado lançado, propiciador deste renovado encontro, foi o do desenho. A cada artista foi pedida a realização de três obras, com as dimensões de 30 x 30 cm e a incorporação do tema unificador no trabalho, retomando-se desta forma o sentido das mostras colectivas organizadas pela galerista".

O trajeto de Ana Isabel na vida cultural de Lisboa

Ana Isabel abriu a galeria Interior em 1964 e era sócia da Reverso quando morreu em 2012

Ana Isabel abriu a galeria Interior em 1964 e era sócia da Reverso quando morreu em 2012

DR (foto cedida por Catarina Crespo)

"Quando se preparava, na Fundação Calouste Gulbenkian, a exposição Anos 70 - Atravessar Fronteiras", Ana Ruivo combinou um encontro "com Ana Isabel Rodrigues, a galerista que à frente da Interior atravessou praticamente toda a década sem suspender actividade, apesar das convulsões próprias dos períodos revolucionários ou das instabilidades de mercado, reunindo, num projecto de recuperação arquitectónica de Conceição Silva, artes plásticas, tapeçaria e design, numa postura de transversalidade disciplinar tão cara à contemporaneidade". 

 Ana Isabel foi casada com o também desaparecido Manuel Rodrigues, fundador e proprietário da antiga Editora Cosmos, e abriu a galeria Interior - Centro Português de Tapeçarias, em 1964. Mulher de esquerda, contou ao Expresso em 2005 que "o negócio correu bem até ao 25 de Abril, mas nos anos que se seguiram foi complicado aguentar a porta aberta".

A Interior acabou por fechar. Pouco depois, Ana Isabel regressou à atividade com uma galeria batizada com o seu nome. A galeria Ana Isabel, num andar da Rua da Emenda, durou até meados da década de 80. Depois disso, Ana Isabel abriu e dirigiu a Nasoni, em Lisboa, que fechou em 1995. Quando em 1998, Paula Crespo a desafiou para abrir uma galeria, Ana Isabel estava pronta para abraçar um novo projecto apesar de já ter ultrapassado os 70 anos.

As duas fundaram a Reverso onde hoje se inaugura uma exposição que lhe é dedicada para todos os amigos e artistas que frequentaram/am a Reverso "se reencontrem. Será talvez um grupo heterogéneo representante de diferentes disciplinas e formas de expressão, mas acredito que o que os une, o que nos une, será visível de forma positiva no resultado final desta exposição", diz Paula Crespo.

Peça da alemã Mirjam Hiller na exposição 'Até as árvores são sonhos'

Peça da alemã Mirjam Hiller na exposição 'Até as árvores são sonhos'

DR