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#sexismo. Deixem lá o Ed Sheeran e a Beyoncé em paz

Beyoncé e Ed Sheeran no Global Citizen Festival, em Joanesburgo

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Ed Sheeran fez um dueto com Beyoncé... e a polémica estalou. Hoje é preciso pouco para uma polémica estalar. Basta isto, subir a um palco, escrever algo no Facebook ou no Twitter, postar uma foto no Instagram, ser candidato a uma honra qualquer. Tudo é dissecado ao pormenor, mesmo aquilo que se disse ou que se escreveu há uma década ou duas. Os novos inquisidores não perdoam uma. O ar nas redes sociais tornou-se quase irrespirável.

Esta é uma história que quase não tem história. Beyoncé atuou no Global Citizen Festival, em Joanesburgo, e o cantor britânico, de 27 anos, juntou-se a ela para cantarem o seu êxito “Perfect”. Estavam ali com outros nomes grandes da música para celebrar o centenário do nascimento de Nelson Mandela, mas isso, aparentemente, era coisa sem relevância. Importantes mesmo eram as fatiotas das duas estrelas: ela num exuberante vestido rosa, ele de jeans e de t-shirt, casual como sempre.

Houve quem achasse que Sheeran não podia apresentar-se assim, como se tivesse acabado de sair da cama. Para outros, o caso era bem mais sério: o contraste gritante entre o ar desleixado do cantor e a deslumbrante Beyoncé exemplificava na perfeição as expectativas tão diferentes que se têm em relação a homens e mulheres. Sem perceberem bem como, os dois estavam no centro de um debate sobre o sexismo.

É pouco provável que uma cantora conseguisse atingir o nível de sucesso de Sheeran vestindo-se de forma tão desassombrada: é difícil negar que as intérpretes femininas estão sujeitas a uma pressão maior para se apresentarem na perfeição. Mas esse debate fundamental sobre o duplo padrão que ainda subsiste em muitos domínios da sociedade não se faz com fait divers como este. Ali, em Joanesburgo, estavam dois músicos talentosos como sempre se apresentam: ele no seu estilo informal, ela com a sua imagem marcante. Um e outro limitaram-se a ser eles próprios. Num mundo onde cada vez mais se espera que sejamos outra coisa, sermos genuínos já não é coisa pouca.