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Australianos preferem maioritariamente a televisão “à la carte”

65% dos espectadores australianos que aderiram às plataformas de “video on demand”

D.R.

Muito à conta da Netflix, a Austrália é a primeira a dar o salto. Em breve serão mais os lares com subscrições de serviços de televisão em streaming do que de televisão linear paga

LUÍS PROENÇA

O ano de 2018 há de chegar ao fim com a Austrália a entrar para a história como o primeiro país do mundo em que o consumo de televisão não linear SVoD (Subscription Video on Demand) vai ultrapassar o da clássica televisão paga “por cabo”. A projeção surge estampada nas conclusões de um relatório elaborado pela FutureSource Consulting, uma empresa especializada em análise de mercados.

No essencial são duas as razões apontadas para esta ultrapassagem “down under”: a popularidade da oferta da Netflix associada ao comparativamente mais baixo preço da subscrição mensal face aos valores cobrados pelos operadores de distribuição de televisão cablada australianos. Joanna Wright, analista de mercado da FutureSource Consulting, explica que “as receitas da televisão paga têm um papel-chave na força e na escala de todo o mercado vídeo, representando mais de metade do retorno total obtido com o consumo de vídeo em geral. A televisão paga na Austrália tem um dos mais altos ARPU (Average Revenue per User) do mundo, mas o crescimento da televisão paga “low cost” e dos serviços de SVoD levaram à queda do ARPU”.

Tem sido um escorregão no retorno financeiro, acentuado nos últimos quatro anos. O ARPU passou dos 77,5 euros em 2014 para os 57,2 este ano, o que representa uma queda de 7% em todo o mercado de televisão paga em 2017. Esta esperada ultrapassagem do número de lares com assinaturas SVoD vs. televisão paga não ocorre pura e simplesmente pela substituição direta entre os dois géneros de serviços. 65% dos espectadores australianos que aderiram às plataformas de “video on demand” são igualmente subscritores de serviços de televisão paga, verificando-se, portanto, um fenómeno de complementaridade, como em vários outros países, o que torna evidente, nestes casos, que boa parte dos espectadores acrescentaram mais custo nas suas faturas mensais com o consumo de audiovisuais.

A Netflix tem na Austrália um dos mercados de maior sucesso na carteira internacional

A Netflix tem na Austrália um dos mercados de maior sucesso na carteira internacional

FOTO D.R.

As plataformas de televisão em “streaming” vão totalizar 6,1 milhões de subscrições até ao final do ano na Austrália (a população total é de 24,9 milhões), com taxas de crescimento impressionantes: 55% no ano passado; estimativa de mais 48% até ao final deste ano. A Netflix tem sido a grande propulsora nos últimos quatro anos, tendo aliás na Austrália um dos mercados de maior sucesso na carteira internacional. “Em 2017, atingiu 2,8 milhões de subscritores igualando o total de subscritores da Foxtel (o principal operador de televisão paga)”, assinala Joanna Wright.

A Amazon Prime Video dá os primeiros passos no país – entrou em ação este verão. A CBS All Acess é esperada no final do ano. E outros hão de desembarcar no próximo ano, designadamente a Disney+. Por entre os ‘players’ australianos do SVoD, registam-se crescimentos saudáveis das plataformas Stan e Foxtel Now, “mas ainda lhes falta fazer o ‘take-off’ como a Netflix”, aponta Wright.