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Artista instala estátua da ministra israelita da Cultura em Telaviv como protesto

Laurent KOFFEL/Getty

Ministra da Cultura, em linha com o partido de direita Likud, é a impulsionadora de uma polémica iniciativa legal que permitiria retirar fundos públicos a organizações culturais que sejam consideradas desleais

O artista Italy Zalait colocou nesta quinta-feira uma estátua da ministra da Cultura e do Desporto de Israel, Miri Reguev, a olhar-se ao espelho, numa praza de Tel Aviv, em resposta ao projeto de lei da "lealdade na Cultura".

A escultura do artista israelita Zalait apareceu na praça onde se localiza o Teatro Nacional Habima, para chamar a atenção sobre a ministra, que é representada em tamanho real, de pé, com um vestido branco e a contemplar-se num espelho, junto a uma pequena placa em que se lê em hebraico e inglês "#NoCoraçãodaNação".

"É meu direito enquanto artista ter liberdade de expressão em praça pública", disse Zalait, numa entrevista para a rádio do exército de Israel. E prossegui: "Não sabemos o que poderemos fazer daqui a uns anos". Em 2016, este artista encheu manchetes com a sua gigantesca estátua dourada do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como "ato político artístico subversivo".

A ministra da Cultura, em linha com o partido de direita Likud, é a impulsionadora de uma polémica iniciativa legal que permitiria retirar fundos públicos a organizações culturais que sejam consideradas desleais ou "que trabalhem contra os princípios do Estado". A proposta passou esta segunda-feira numa primeira leitura no parlamento, esperando ser aprovada numa segunda e terceira leituras.

O projeto de lei motivou numerosas críticas, destacando-se a da procuradora-geral adjunta, Dina Zilber, que lamentou que a medida pudesse levar à autocensura. Zilber defendeu que a cultura "significa liberdade para a imaginação e beleza, uma multiplicidade de vozes e coragem, desafio e honesta liberdade de expressão, que não procura bajular e não se adapta às provas de conformidade do Governo".

Em resposta, a ministra da Justiça, Ayelet Shaked, pediu o seu despedimento e assegurou que esta "já não representa" o ministério. A ministra Reguev agradeceu nas redes sociais a Zalait pela sua obra e assegurou: "Nos últimos três anos, fiz muito para levantar um espelho para o mundo cultural de Israel. Um espelho que revelou a exclusão de grupos inteiros e "o patrocínio" daqueles que se viam como o coração da nação".