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Um final belo e macabro

Robin Wright interpreta Claire Underwood nos últimos capítulos de “House of Cards”

FOTO DAVID GIESBRECHT/NETFLIX

O thriller político “House of Cards”, outrora protagonizado por Kevin Spacey, está perto do fim. A sexta e última temporada, com Robin Wright ao comando, é transmitida em Portugal pelo TVSéries aos sábados. Só depois chegará à Netflix

São os 100 primeiros dias. E tudo mudou. Tanto na ficção como na realidade. A ficcional Claire Underwood é agora viúva e Presidente dos Estados Unidos da América, depois da morte de Frank Underwood. E “House of Cards” já não tem Kevin Spacey no papel do maquiavélico político norte-americano.

O ator mais cobiçado caiu em desgraça — a carreira não sobreviveu às acusações de assédio e abuso sexual de que foi alvo — e os responsáveis foram obrigados a mudar tudo numa fase avançada da produção. Era preciso agir quanto antes, controlando os danos e dando respostas aos que desconheciam o futuro do thriller político. Eram milhares os postos de trabalho em risco (trabalhavam mais de 2500 pessoas diretamente em “House of Cards”) e milhões os dólares em causa.

No início ninguém sabia o que fazer após o despedimento de Kevin Spacey, mas os produtores executivos — onde se contam, além dos showrunners Melissa James Gibson e Frank Pugliese, Robin Wright, David Fincher, Joshua Donen, Dana Brunetti, Eric Roth, Michael Dobbs e Andrew Davies — haviam de encontrar uma solução. Era preciso pôr um ponto final naquela que foi a primeira série original da Netflix e que se tornou a principal bandeira do serviço de streaming ao longo dos anos. Não sem algumas condições.

Spacey teria de ser eliminado e isso envolvia grandes mudanças no argumento da sexta temporada, mesmo que já se soubesse dentro de portas que este seria o último lote de episódios, pelo que era preciso voltar ao trabalho depressa. E foi ao reverem a evolução da história que os argumentistas encontraram a solução para os problemas criativos existentes.

MULHER NO PODER

Embora alternasse entre o domínio e a dominação, a outrora primeira-dama Claire Underwood sempre mostrou ser uma mulher ambiciosa, e a temporada anterior já fazia antever mudanças no horizonte. Só não se julgava que fossem tão drásticas — mesmo que os showrunners já tivessem decidido que esta seria a vez dela; que a temporada final seria sobre a ascensão de uma personagem e a queda de outra. Enquanto se apresenta como chefe de Estado, Claire terá então de lidar com problemas do passado (o legado de anos anteriores não foi ignorado) e com inimigos que teimam em não desaparecer. “Quem é que domina realmente a Casa Branca?”, é uma das questões que acompanharão os novos capítulos e talvez haja surpresas neste ponto. É que nem tudo se resume a quem ocupa a Sala Oval.

A entrada em cena dos poderosos irmãos Shepherd (interpretados por Greg Kinnear e Diane Lane), herdeiros do grupo Shepherd Unlimited, vai mostrar muitos dos jogos que acontecem nos bastidores, explorando como o poder económico tenta tomar o político nas mais variadas situações. É mais uma das histórias que já se esperava serem exploradas desde o fim da quinta temporada e surge na ficção numa altura em que cresce o interesse por perceber o poder por trás do poder. “São incrivelmente ricos e estão a gastar dinheiro para exercerem influência”, expressou Frank Pugliese sobre as novas personagens. Já Melissa James Gibson deixou no ar que não há limites para Bill e Annette. “Eles veem-se como manipuladores de marionetas, comprando quem for necessário.”

A sexta temporada de “House of Cards” teve estreia mundial esta sexta-feira na Netflix — na maior parte dos mercados, a série é um exclusivo do serviço de streaming —, mas não é assim que acontece em Portugal. Por cá, a produção norte-americana é transmitida em primeiro lugar pelo TVSéries, aos sábados, pelas 22h, e só depois da exibição do último episódio em televisão linear será possível vê-la em streaming (onde já estão as cinco temporadas anteriores). Aqui o segredo também é a alma do negócio e o final ainda não pode ser revelado, mas Robin Wright avançou já que este será “belo e macabro”, mas também “verdadeiramente bonito”. Só no capítulo final será possível entender as palavras da protagonista.