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A moda passou. E agora?

As salas encheram, as passerelles deslumbraram, e Portugal ficou a saber o que se vai vestir daqui a seis meses. Mas... o que é que vestimos para a semana?

Uma criação de Maria Gambina no Portugal Fashion, no Porto

Uma criação de Maria Gambina no Portugal Fashion, no Porto

FOTO JOSÉ COELHO/EPA

Agora que a ModaLisboa e o Portugal Fashion, no Porto, já passaram, o que é que resta da moda em Portugal? Muita coisa. As apresentações chegaram ao fim, mas a vida dos designers continua, tal como a de toda a gente. As semanas da moda à portuguesa levaram muita gente ao Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, e à Alfândega do Porto, junto ao Douro.

Foram dezenas de desfiles a prever, a lançar ou a influenciar o que de melhor se vai vestir em 2019, quando as temperaturas voltarem a pedir roupa mais fresca e leve. Em Lisboa destacaram-se criadores como Luís Carvalho, Dino Alves, Nuno Gama, Filipe Faísca ou Gonçalo Peixoto. Pelo Porto passaram Hugo Costa, Carlos Gil, Miguel Vieira, Luís Buchinho ou Júlio Torcato, naquele que foi o seu último desfile, ao fim de 30 anos de uma carreira cheia de momentos marcantes.

É um bocado ingrato assistir-se as desfiles de moda com roupa que só se vai usar daqui a seis meses. Até lá, e se a comunicação de cada um dos designers não for efetivamente bem feita, há uma grande probabilidade de as coleções caírem no esquecimento. Claro que quando as estações quentes chegarem, voltaremos a ser bombardeados com aquilo que vimos há meses. Não deixa de ser muito tempo.

Há sempre a possibilidade de os criadores apresentarem as suas coleções em formato see now buy now, que em tradução livre é qualquer coisa como “eu vejo agora e compro já (ou daqui a uma semana)”, mas isso implica uma capacidade de resposta (e produção) enorme, e poucos são os que a têm. Só há uma coisa a fazer: esperar até ao verão. Mas não há motivo para desesperar, afinal, também não lhe ia apetecer roupa fresca com frio. De acordo?

NO INVERNO USA-SE ASSIM

Torna-se hoje bastante complicado escrever sobre o que se vai usar em cada uma das estações. As chamadas tendências são cada vez mais e, a julgar pelo que se vai vendo do mercado imobiliário em Portugal, as casas são cada vez mais caras e cada vez mais pequenas. Isto quer dizer que o espaço para guardar roupa é menor. E isso não é bom porque para a estação que já espreita ao virar da esquina, outono/inverno 2018-19, as tendências são muitas.

Comecemos por aquela que nos faz recuar ao tempo em que os filmes eram índios contra cowboys. Isso mesmo, o estilo western vai invadir as ruas. Os tons terra, a camurça e as franjas vão fazer parte do cenário de qualquer cidade. Por falar em cidade, se conduzir não se deixe encandear pelas cores néon. Sim, é outra tendência para o outono/inverno. É menos provável que encontre um leopardo a deambular nas ruas, a não ser que tenha fugido do zoo. Se lhe parecer ver algum, lembre-se sempre que o animal print vai estar na moda. E de forma exuberante, pronto a dar nas vistas.

Momento do desfile do estilista Carlos Gil durante o Portugal Fashion, no Porto

Momento do desfile do estilista Carlos Gil durante o Portugal Fashion, no Porto

FOTO JOSÉ COELHO/LUSA

Sempre gostou daquelas calças de xadrez, mas nunca as usou por ter algum receio? Deixe-se disso. Use e abuse. Em separado ou look total, o xadrez veio para dar alguma geometria à vida. Seguindo uma lógica de proximidade, o tweed, o tecido que Coco Chanel começou a usar nos anos 50, também surge como tendência.

Falando em espaço temporal... o estilo anos 80 está de volta nos volumes, na largura dos ombros e até nos cabelos. Imagine-se. Neste momento deve estar a pensar que, realmente, é muita coisa. É fácil de resolver, e também uma tendência. Use tudo, umas coisas por cima das outras. Sim, o layering é também tendência. Várias camadas de roupa. E se forem de cores e texturas diferentes, acertou na mouche.