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Netflix e Amazon estão a “engordar” catálogos para mais do dobro, descubra as novidades

d.r.

A maior parte das produções em curso e das encomendas feitas diz respeito a comédias, enquanto o género “reality” está a ser desconsiderado

Luís Proença

De acordo com os resultados de uma investigação da empresa de estudos de mercado Ampere Analisys, só a Netflix – o navio-almirante -, tem planos para trazer 250 novos títulos originais ao ecrã, o que significará que passará a ter um catálogo com mais do dobro do atual (229 títulos). A Amazon Prime Video, que tem atualmente 105 títulos, traçou rota para vir a enriquecer o seu menu de oferta em cerca de mais uma centena de originais.

Os mega investimentos previstos destinam-se a corresponder a, pelo menos, três linhas estratégicas: manter a carteira de subscritores à volta do mundo em crescendo, apesar dos sinais de abrandamento e maturação nalgumas regiões do globo; revitalizar o catálogo pela novidade e diversificação procurando assegurar a atratividade junto dos milhões de clientes já alcançados e retê-los, portanto; anteciparem-se pelo volume de escolha aos concorrentes que mais recentemente se fizeram aos mares do “streaming” (ver quadro).

O Facebook Watch, a Apple e os serviços premium do YouTube (plataforma detida pela Google) estão igualmente a fazer as suas apostas na frente dos originais. E há ainda que contar com os ‘players’ do SVOD (Subscription Video On Demand) dedicados a públicos-alvo mais especializados (HBO, por exemplo), com os que vão arribando ou com os que se anunciam oficialmente para vir a entrar na batalha pelos subscritores, designadamente a Disney.

Por entre os FAANG (acrónimo para as cinco empresas tecnológicas mais populares e com melhor desempenho bolsista em Nova Iorque: Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google – detentora do YouTube), as contas feitas pela Ampere ditam que os novos contendores – Apple, Facebook e YouTube, totalizam 65 novos originais nos planos de produção.

Nesta corrida aparentemente desenfreada, verifica-se uma cada vez mais evidente separação das águas por géneros, o que pode muito bem significar a procura de audiências não conflituantes (ou não tão conflituantes como isso). Senão veja-se o resultado da investigação sobre as encomendas feita aos produtores e aos estúdios: a Netflix persiste em apontar maioritariamente para a ficção científica e para a comédia; a Amazon aposta mais fichas nas séries dramáticas.

Considerado todo o rol de séries vindouras, a Amazon dedica praticamente um terço (29%) às séries dramáticas, enquanto a Netflix lhes reserva apenas 17% do investimento. Está bem de ver que as opções de géneros da Netflix pressupõem o reforço das relações fortes com os públicos mais jovens, muito bem sucedidas com os títulos de “sci-fi”, como Stranger Things, a encimar o pódio da popularidade.

Na lista de encomendas, a Apple foca-se igualmente na ficção científica, dedicando a fatia de leão das suas futuras compras a este género. A Ampere escrutinou que o YouTube aponta sobretudo para conteúdos orientados para o humor. O género “reality” está a ser desconsiderado. Representa apenas 6% das encomendas futuras, enquanto hoje tem uma representatividade de 32% do catálogo do serviço premium. Para rematar a contabilidade por géneros, a Ampere conclui que a comédia é quem ri primeiro – o mais encomendado -, se se considerarem todos os FAANG.