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“Nuno Cardoso é um descendente da prole gerada pelo Teatro Nacional São João”

Pedro Sobrado, presidente do Cconselho de Administração do teatro, sublinha o papel crucial desempenhado por Nuno Carinhas “no tempo de chumbo” dos cortes financeiros

Antes de se referir a Nuno Cardoso, o agora nomeado novo diretor-artístico do Teatro Nacional São João, Pedro Sobrado, responsável máximo pelo teatro, faz questão de realçar, ao fim de dez anos de mandato, o papel fundamental desempenhado por Nuno Carinhas.

Neste momento, diz, “temos de reconhecer o trabalho de Nuno Carinhas. Boa parte destes dez anos coincidiu com o tempo de chumbo vivido na cidade e no país, com sucessivos cortes financeiros”. Num contexto muito adverso, o ainda diretor-artístico do TNSJ “conseguiu um feito num patamar que é o seu, de teatro de arte”, ao manter uma rigorosa política de reportório e de linguagens de cena, diz Sobrado. Tudo isto, prossegue, ao mesmo tempo que investia na sobrevivência de um modelo teatral altamente castigado.

Nesse sentido, e até porque a identidade e a personalidade artística do TNSJ “é indissociável do trabalho de Nuno Carinhas enquanto encenador”, Sobrado garante que a estrutura do teatro “acalenta a expectativa” de que se manterá a colaboração com alguém que começou a trabalhar com o São João no já distante ano de 1996, na altura em que se assiste a uma autêntica refundação daquele espaço enquanto Teatro Nacional.

Num comunicado oficial, o TNSJ “afirma e agradece publicamente o contributo precioso de Nuno Carinhas na prossecução da missão da instituição, inclusivamente num período económica e socialmente crítico. Com o seu trabalho como encenador, manteve o TNSJ num patamar de excelência técnica e artística, distinguindo-se pela divulgação dos grandes repertórios dramáticos, de William Shakespeare a Samuel Beckett, de Gil Vicente a Maria Velho da Costa e Jacinto Lucas Pires. Como programador deste Teatro Nacional, acompanhou e apoiou – através de inúmeras coproduções – o trabalho desenvolvido por dezenas de estruturas e companhias da cidade e do país, e ampliou a atividade do TNSJ para lá do domínio estrito do teatro, programando exposições, colóquios, filmes, oficinas e ações educativas”.

Sobre Nuno Cardoso, e até por uma questão ética, dado Carinhas continuar em funções até 31 de dezembro, Pedro Sobrado não quer alongar-se muito, embora sempre vá dizendo que, quer ele, quer o novo diretor-artístico, embora com personalidades muito diferentes, são “ambos descendentes da prole gerada pelo TNSJ nas últimas décadas”. O mesmo será dizer que, de alguma forma, ambos são também, em grande parte, o resultado do trabalho iniciado e desenvolvido por Ricardo Pais.

Cardoso regressa a uma casa que também tem sido sua ao longo dos anos e, desse ponto de vista, é uma nomeação que “respeita a estabilidade do TNSJ”, afirma Sobrado.

Enquanto encenador, harmoniza-se “com o que a lei orgânica prescreve”. Isto para lá de, a seguir a Ricardo Pais e Nuno Carinhas, ser porventura quem mais encenações assinou no TNSJ. “É um encenador com características muito distintas de Nuno Carinhas. Trará a sua vitalidade e o seu fôlego à programação do TNSJ, mas não se deve antecipar o futuro”, diz Pedro Sobrado.