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“Sky is not the limit”. Comcast adquire um grande reforço para entrar no campeonato mundial da televisão por internet

Ao arrebanhar a Sky, que opera em cinco países europeus enquanto ‘telco’, produtora e operadora de televisão, a Comcast duplica a atual base de clientes que possui nos EUA

Foto Leon Neal / Getty Images

Brian Roberts, o presidente executivo da Comcast, jogou alto por estar convencido do retorno futuro: “Esta aquisição vai permitir-nos aumentar com rapidez, eficiência e significado a base de clientes e expandirmo-nos internacionalmente”

Luís Proença

Desta vez, a Comcast foi a jogo para ganhar e ganhou. Superou a oferta da 21st Century Fox no leilão pela aquisição da Sky. O gigante norte-americano de telecomunicações e entretenimento vai desembolsar cerca de 33 mil milhões de euros num investimento de internacionalização. Ao arrebanhar a Sky que opera em cinco países europeus (Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Áustria e Itália) enquanto ‘telco’, produtora e operadora de televisão, a Comcast duplica a atual base de clientes que possui nos Estados Unidos.
A onda de choque provocada pelo resultado do leilão nos mercados bolsistas diverge entre os dois lados do Atlântico. As ações da Sky na Bolsa de Londres dispararam para máximos históricos. O valor do papel da Comcast caiu no índice NASDAQ em Nova Iorque. Os investidores norte-americanos estarão descrentes quanto ao efeito multiplicador de dividendos a prazo que possam decorrer da compra da Sky (23 milhões de subscritores), a este preço, quando o “cord-cutting” (rescisão dos contratos de assinatura de televisão paga) se impõe de facto, sem retorno, face ao agigantar da oferta e da subscrição dos serviços de televisão por internet (Netflix, Amazon Prime Video, etc.).

Brian Roberts, o presidente executivo da Comcast, jogou alto por estar convencido do retorno futuro: “Esta aquisição vai permitir-nos aumentar com rapidez, eficiência e significado a base de clientes e expandirmo-nos internacionalmente.”

O resultado do leilão é um duro golpe para a 21st Century Fox e particularmente para Robert Murdoch que detinha uma quota de 39% da Sky e que procurava assumir o controlo maioritário da “holding” britânica há pelo menos dois anos. Também a Disney sai atingida, dada a pretensão gorada de poder vir a ficar com a Sky no âmbito do macro negócio da compra dos activos de cinema e televisão da Fox. O contrato passa pela incorporação de uma longa lista de títulos e propriedades da Fox na Disney, das quais fazem parte as operações de produção de cinema e televisão com origem na 20th Century Fox Studios, os canais de subscrição da FX Networks, os canais do grupo Nat Geo, 22 cadeias regionais de canais desportivos e os canais internacionais Fox – incluindo a Star India.

Robert Murdoch detinha uma quota de 39% da Sky e procurava assumir o controlo maioritário da “holding” britânica há pelo menos dois anos

Robert Murdoch detinha uma quota de 39% da Sky e procurava assumir o controlo maioritário da “holding” britânica há pelo menos dois anos

Foto JEWEL SAMAD / AFP / Getty Images

Negócios são negócios e a história completa desta megarrestruturação triangular estará longe do fim. Com o capital dedicado à Sky agora sem destino aparente, diz-se à boca cheia que a Disney tentará a Comcast para lhe vender a quota de 30% que detém na Hulu, o terceiro serviço de “streaming” mais subscrito dos Estados Unidos. Desse modo, a Disney obteria o controlo da OTT TV (“Over The Top TV”) onde já possui uma fatia de 30%.

Do lado da Comcast, a compra da Sky irá além do ingresso direto dos mais 23 milhões de subscritores europeus (banda larga e televisão por cabo). A Sky fará parte da estratégia para a entrada na guerra mundial do “streaming”, enquanto espinha dorsal na Europa da futura plataforma de SVOD (“Subscription Video On Demand) a nascer nos Estados Unidos alimentada pelos conteúdos e pela produção da NBCUniversal. No campeonato dos conteúdos, a Sky também riscará aplicando os recursos em produção nomeadamente de séries, através da Sky Atlantic, e na área da informação com a Sky News.