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Pseudodiscussão sobre censura em Serralves faz estragos e vem de inveja, afirma José Pacheco Pereira

MANUEL FERNANDO ARAÚJO/Lusa

Pacheco Pereira, que recordou que sabe muito bem o que é a censura, porque ele próprio foi alvo de censura pela PIDE, na altura do Estado Novo, criticou o facto de Ana Pinho ter sido atacada pessoalmente, por vir do meio empresarial e por não fazer parte do “meio artístico”

O historiador José Pacheco Pereira admitiu nesta quarta-feira que a "pseudodiscussão sobre censura" no Museu de Serralves, no Porto, no âmbito das obras do fotógrafo Mapplethorpe, causa "estragos" à instituição e deve-se também a "invejas".

"Eu não queria que uma pseudodiscussão sobre censura, que não existe, tenha um efeito negativo" para Serralves. É evidente que estragos faz, não fechamos os olhos aos estragos, mas temos pena que os estragos que implicam também alguma inveja de Serralves (...), que isso prejudique o nosso trabalho, num momento alto desse trabalho. Agora que há muita inveja há, não é só o problema do curador", declarou Pacheco Pereira.

Na conferência de imprensa que o Conselho de Administração de Serralves (CA) realizou hoje, Pacheco Pereira, um dos administradores, defendeu categoricamente o trabalho da presidente do CA, Ana Pinho. "Nunca vi ninguém, nenhum Conselho de Administração que trabalha pró bono, ou seja, que não recebe salário, nunca vi defender melhor os interesses de Serralves que a Ana [Pinho], com enorme dedicação. E os problemas de gestão (...) são enormes", declarou Pacheco Pereira, avançando que, em 2019, vai haver "um 'up-grade' em relação à situação atual de Serralves".

Pacheco Pereira, que recordou que sabe muito bem o que é a censura, porque ele próprio foi alvo de censura pela PIDE, na altura do Estado Novo, criticou o facto de Ana Pinho ter sido atacada pessoalmente, por vir do meio empresarial e por não fazer parte do "meio artístico". "Acontece que esse tipo de argumento de autoridade empalidece face ao trabalho que ela tem feito por Serralves e esse trabalho é reconhecido nacional e internacionalmente", concluiu.

A presidente do Conselho de Administração de Serralves disse nesta quarta-feira que aquela instituição era um dos "raros museus portugueses com reputação internacional" e que se encontrava nos dias de hoje "numa das melhores situações de sempre".

"Mais de 830 mil visitantes em 2017, dos quais cerca de 220 mil foram estrangeiros, aos quais se juntam cerca de 500 mil nas atividades que Serralves desenvolve no exterior. Ou seja, mais de 1,3 milhões de pessoas participam nas atividades organizadas por Serralves. O serviço educativo tem uma atividade central na missão de Serralves, passando anualmente pelos seus espaços mais de 116 mil crianças. Poucos museus no mundo poderão orgulhar-se de, no mesmo momento, expor artistas como Anish Kapoor, Robert Mapplethorpe e Jeff Koons, como aconteceu no último fim-de-semana", declarou Ana Pinho, no encontro com os jornalistas.

A recentemente inaugurada exposição "Robert Mapplethorpe: Pictures" levou à demissão de João Ribas, que era diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves e comissário daquela exposição, mas esse ato de se demitir foi considerado "inesperado" por parte do CA, que recordou a forma "entusiástica" com que Ribas apresentou as obras. Questionada pelos jornalistas sobre as críticas relativas a um alegado mau estar em Serralves com a direção de Ana Pinho e dos protestos de pessoas no fim-de-semana passado a pedir a sua demissão, Ana Pinho não quis comentar.