Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Mal-estar em Serralves: funcionários acusam Ana Pinho de totalitarismo (revista de imprensa)

SERRALVES. Ana Pinho é a nova presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves para o triénio 2016-18

lucília monteiro

Administração de Serralves não responde a perguntas sobre a demissão de João Ribas. Mas funcionários e ex-funcionários da insitituição garantiram, ao jornal "Público", que este é apenas sinal do clima de "mal-estar generalizado" e "intimidação" na instituição desde que Ana Pinho tomou posse em 2015

A demissão de João Ribas, diretor do Museu de Serralves, acabou por denunciar a forma como está a ser gerida Serralves, segundo relatos recolhidos pelo jornal "Público" na edição deste domingo.

Depoimentos de vários trabalhadores e ex-trabalhadores, que quiseram manter o anonimato, revelaram um clima de "mal-estar generalizado", desde que a actual administração, liderada por Ana Pinho, tomou posse em 2015. Ana Pinho é acusada de gerar um "clima intimidatório", e de um "nível de totalitarismo" que, garantem, está a minar a cultura de funcionamento da instituição. "A ingerência [de Ana Pinho] é diária, na esfera da direcção artística e nas outras. A administração decide que quer fazer uma exposição e faz. Tudo é anti-estatuário," revelaram ao Público. "A presidente exerce os seus poderes de forma autocrática e intrusiva, desrespeitando a autonomia e a responsabilidade de trabalhadores com anos de casa. É um poder ditatorial que se sobrepõe a todas as direcções, a todos os departamentos", referem diferentes trabalhadores, que acabaram por abandonar Serralves após vários a trabalhar naquela instituição.

Os funcionários defendem que esta é apenas a primeira manifestação visível ao grande público do que se passa em Serralves. Consideram que o conflito entre o diretor do museu, João Ribas, acabaria por acontecer mais tarde, se não fosse agora, nomeadamente quando a instituição avançasse com a exposição de Joana Vasconcelos, iniciativa que foi negociada directamente por Ana Pinho, sem consulta ao seu director.

Recorde-se que a admistração de Serralves reiterou, ao final da manhã de sábado, que não tinha tirado nenhuma obra de Robert Mapplethorpe incluída inicialmente na exposição, e que estava decidido desde o início que as obras de cariz sexual explícito fosse instaladas em salas com acesso restrito.

João Ribas ainda não apresentou as razões da sua demissão. Fá-lo-á nos próximos dias