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Mais uma volta, mais uma rodada do Circular na órbita dos mundos da arte

O espetáculo "ad noctum", do francês Christian Rizzo, marca o regresso ao Circular de um dos mais marcantes coreógrafos europeus da contemporaneidade

Marc Coudrais

O festival Circular regressa para a 14.ª edição, entre sábado e 29 de setembro, apresentando um cartaz multidisciplinar, com 11 propostas artísticas, para colocar Vila do Conde a girar em torno das artes performativas

Está de regresso o Circular, entre sábado e 29 de setembro, depois de, este ano, o processo de atribuição de apoios públicos, por parte da DGArtes, ter lançado a continuidade do evento para uma espiral de incerteza. “Foi um período conturbado e de muita pressão”, lembra, ao Expresso, Paulo Vasques, co-diretor do festival, acrescentando que o impasse acabou por “condicionar e transtornar” o processo de programação e produção.

Ultrapassados os redemoinhos das tormentas financeiras, a 14.ª edição assume o leme de uma viagem de circum-navegação pelo mundo das artes performativas, movida pelos novos ventos de experimentalismo, até um conjunto de 11 propostas culturais.

Entre encomendas e coproduções, destacam-se duas estreias absolutas e três espetáculos apresentados pela primeira vez em território nacional. “Ficámos satisfeitos por conseguirmos propor uma edição que cumpre os objetivos do festival e se aproxima do programa idealizado”, assevera o responsável artístico e um dos fundadores do Circular - Festival de Artes Performativas, timoneiro de um projeto erguido em colaboração com Dina Magalhães. “A matriz é apoiar a criação contemporânea, de uma forma bastante transversal ao nível disciplinar e assentando as suas escolhas em projetos mais experimentais”, acrescenta Paulo Vasques.

“Vamos apresentar uma nova criação de João dos Santos Martins, intitulada ‘Onde está o casaco?’, em estreia absoluta, um trabalho de parceria com Cyriaque Villemaux e a veterana das artes visuais Ana Jotta”, enaltece o co-diretor do evento, sobre uma peça de dança com uma “componente visual forte” e “pensada para uma escala reduzida”, apresentada no auditório da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, às 21h30, no dia 28.

A abertura da exposição “Cinco Filmes e uma Máscara”, patente na galeria Solar até 3 de novembro, marca, este sábado, o arranque do festival, ao qual regressa, no mesmo dia, o coreógrafo Christian Rizzo, para apresentar o espetáculo “ad noctum”, pelas 21h30, no Teatro Municipal de Vila do Conde. “É um dos maiores nomes da dança contemporânea europeia”, frisa o programador, relativamente ao criador francês de 53 anos. O dia inaugural do evento termina, na mesma sala de espetáculos, com o concerto de João Pais Filipe, percussionista e escultor sonoro que traz na bagagem e no repertório os ritmos do seu recente álbum homónimo, onde se inclui a faixa “Nine Doors”.

A oferta multidisciplinar, aberta a autores consolidados e criadores emergentes, promove o cruzamento entre a dança, a performance, a música, a instalação, bem como a criação de massa crítica através de conferências. Paulo Vasques coloca em foco nomes como o de Clara Amaral, “artista nacional, a trabalhar na Holanda, que nunca se tinha apresentado em Portugal”, com presença assegurada no Circular, entre os dias 26 e 29, para levar ao palco do Teatro Municipal de Vila do Conde a performance “Do you remember that time we were together and danced this or that dance?”.

“Deixa arder” é a desafiante proposta da brasileira Marcela Levi e da argentina Lucía Russo, um espetáculo de dança apresentado no último dia do festival, pelas 21h30, também no teatro.

O certame promete colocar a cidade de Vila do Conde a girar em torno de diversas linguagens artísticas durante uma semana, tendo como eixo nevrálgico o Teatro Municipal, ramificando-se por outros espaços como o Auditório Municipal e o auditório da Santa Casa da Misericórdia, a Solar - Galeria de Arte Cinemática e o Conservatório de Música.

O orçamento para a edição de 2018 fixou-se nos 50 mil euros e a organização do Circular conta com o apoio da autarquia e da junta de freguesia locais, bem como da Direção-Geral das Artes. Somam-se as parcerias de colaboração com a Solar Galeria, o Curtas Metragens CRL e o Conservatório de Música de Vila do Conde.

A programação integral e outras informações úteis podem ser consultadas AQUI.