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De Burmester a Artur Pizarro – uma viagem pela fantasia na Casa da Música

Pedro Burmester abre ciclo dedicado à Fantasia na casa da Música

Rui Duarte Silva

Cinco concertos com os diferentes agrupamentos da Casa proporcionam uma viagem a cinco séculos de criatividade musical, a partir de hoje e até dia 29

É uma espécie de ciclo estruturado a partir da ideia de fantasia na criação musical dos últimos cinco séculos. Cinco concertos, a começar hoje com Pedro Burmester, e a acabar no próximo dia 29 com outro pianista, Artur Pizarro, permitirão uma aproximação ao que poderia ser uma longa viagem com muitas outra paragens. No programa de hoje haverá música de Bach, mas também de Beethoven, de Julian Anderson e de Daniel Moreira, ìnfluenciado por Beethoven.

A partir das 19h30, na Sala Suggia, Pedro Burmester, com o Remix Ensemble e o também pianista Jonathan Ayerst, sob a direcção musical de Peter Rundel dará início a um programa em que todas as obras inseridas no concerto assumem uma relação direta com a ideia de fantasia. Não por acaso, a peça de Johann Sebastian Bach a interpretar pelo que já foi diretor artístico da Casa da Música (CdM) tem o termo “Fantasia” no título. Chama-se “Fantasia BWV 903” e, como explica a CdM num texto de apoio, “insere-se num género pré-existente, ou seja, a fantasia barroca para instrumento e tecla”. Já a sonata de Beethoven “quasi una fantasia, op.27, nº2”, surge como o resultado de dois géneros consagrados, a fantasia e a sonata. Do britânico Julian Anderson será tocada a “Alhambra Fantasy”, uma forma de celebrar a arte e ar arquitetura do palácio de Granada, enquanto de Daniel Moreira é apresentada em estreia mundial, a partir de uma encomenda da CdM e de Kölnmusik, “Beethoven quasi una fantasia”.

No próximo sábado, a partir das 18 horas, o programa com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, sob a direção musical de Brad Lubman, tem como grande momento um regresso à “Sinfonia Fantástica”, de Hector Berlioz. Antes, em estreia mundial, com o apoio do Goethe-Institut Portugal, será tocada “Bach Fantasia BWV 922 , de Johannes Schöllhorn, que assinou já um conjunto de orquestrações contemporâneas de vários contrapontos da Arte da Fuga(gravadas em CD pelo Remix Ensemble). A obra que inicia este concerto “é uma visita a outra faceta do grande mestre do Barroco, recriando uma obra de carácter tão imaginativo que, nas palavras de Alfred Brendel, ‘nenhum compasso revela para onde o próximo poderá ir’”,explica o texto da CdM. De Julian Anderson será ainda interpretada “Fantasias”.

Artur Pizarro fecha o ciclo no sábado, dia 29

Artur Pizarro fecha o ciclo no sábado, dia 29

António Pedro Ferreira

No domingo, com início às 18h, entra o Coro da Casa da Música, dirigido por Paul Hillier, propõe um percurso pelo imaginário suscitado por múltipla influencias renascentistas, com passagem por obras polifónicas criadas em Itália. Serão apresentadas obras de Giovanni Gabrieli, Carlo Gesualdo Johannes Ockeghem, Gyorgi Ligeti, Johannes Ockeghem,e Pablo Ortiz.

Segue-se a Orquestra Barroca Casa da Música, na terça-feira, dia 25, às 19h30, sob a direção musical de Laurence Cummings, com obras de J. S. Bach (“Fantasia e Fuga em Sol menor”),G. P. Telemann (“La Bizzare”) J.B. Lully (“Suite de Armide”),Johann J. Fux (“Abertura em Ré menor”) e Georg Muffat (“Laeta poësis”).

Por fim, no dia 29, sábado, ás 18 horas, será tempo de ouvir Artur Pizarro. “Desde as aberturas francesas e as danças barrocas usadas por Telemann até à linguagem livre de um lendário improvisador como foi o filho mais velho de J. S. Bach, passando pela sensibilidade lírica de Schubert, o recital culmina com uma fantasia de Mendelssohn inspirada em temas escoceses e um autêntico cavalo-de-batalha que é a Fantasia de Liszt sobre temas de Beethoven”.