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Previsão do estado do mercado global de subscritores de “SVOD” em meia dúzia de anos

d.r.

Os serviços de “video on demand” (SVOD) estão numa escalada imparável

Luís Proença

O mundo como ele é. A imparável propagação dos serviços de “video on demand” (SVOD) vai ocorrer a diferentes velocidades, tendo em conta as forças e riquezas versus as fraquezas e pobrezas das diversas regiões do globo, mas nada será como dantes na televisão em meia dúzia de anos, de acordo com as estimativas da “Digital TV Research”.

A previsão aponta para a quase duplicação do número de subscritores na Europa Ocidental até 2023. Contas feitas pela companhia de análise do mercado televisivo, baseada em Londres, existiam 50,34 milhões de assinantes de SVOD no final do ano passado. Quando chegarmos a 2023, a “Digital TV Research” aponta para um total de 98,85 milhões de aderentes, sendo que durante o ano corrente a parcela de crescimento rondará os mais quinze milhões, a que se somam previsivelmente mais onze milhões em 2019.

O fenómeno europeu

No final do ciclo previsional, a Netflix deverá alcançar os 49,75 milhões de subscritores e a Amazon Prime Video elevará o número total para os 22 milhões. Mais do dobro, portanto, o que significa uma manutenção da atual diferença proporcional de penetração entre as duas maiores plataformas de “streaming” nesta região. O relatório antecipa que a Noruega chega a 2023 com a maior taxa de subscrições (104,8%), enquanto Alemanha, França, Itália e Espanha ficarão aquém da média regional. Do ponto de vista das receitas, o Reino Unido manter-se-á um imbatível líder de mercado, prevendo-se que venha a gerar um retorno total de 5870 milhões de euros para as plataformas em 2023. Neste capítulo, os britânicos superam quaisquer outros. O que vão gastar em serviços de televisão por subscrição equivaler-se-á à soma de alemães e franceses juntos.

Na Europa de Leste, o crescimento do número de subscritores pagantes deve vir a triplicar. Olhando para os grandes números, evidencia-se que a base de partida é claramente inferior quando comparada com a Europa Ocidental. No final do ano passado, os conteúdos vídeo através do SVOD eram assinados por 7,1 milhões de pessoas. O relatório estima um aumento para os 22,1 milhões. A Rússia contribuirá com cinco milhões e a Polónia com mais quatro nesta parcela de cerca de quinze milhões de crescimento. Quanto às receitas, a Rússia deve vir a superar a primeira posição dos polacos já este ano. No final do período em análise, os russos deverão vir a gastar um total de 661 milhões de euros em subscrições, passando a deter uma quota de 34% na região. “Os ‘players’ internacionais devem vir a contribuir pouco neste incremento. “As restrições às plataformas de OTT (“Over The Top”) TV detidas por estrangeiros limitam empresas como a Netflix e a Amazon Prime Video”, assinala Simon Murray, um dos principais responsáveis pelo relatório. “Felizmente para a Rússia, há várias plataformas locais”, conclui.

Dois terços dos lares norte-americanos vão ter SVOD

No fecho de contas de 2017, já eram mais de metade: 55% das casas nos Estados Unidos possuíam assinaturas de televisão por internet. Estamos a falar de 132 milhões de pessoas. As projeções adiantam os contadores para 208 milhões – o equivalente a uma taxa de penetração de 73,5 dos lares –, em 2023. No país onde o streaming deu os primeiros passos, onde nasceram, e a partir de onde se desenvolvem, os reis e senhores do negócio, daqui a seis anos é estimado que cada casa dos EUA detenha uma média de 2,35 acessos a plataformas de “video on demand”. A média era de 2,05 no final do ano passado. A Netflix é apontada para se manter a plataforma mais popular com 67,3 milhões (face a 52,8 milhões de ’17). A Amazon chegará aos 60,6 milhões que comparam 45 milhões e a Hulu completará o pódio com 28,1 milhões de subscritores (16,5 em ’17). O relatório prevê que a HBO praticamente duplique o número de assinantes de 4,1 milhões para 7,9.

A Netflix é a plataforma mais popular ao nível dos serviços de “video on demand”

A Netflix é a plataforma mais popular ao nível dos serviços de “video on demand”

d.r.

Subscritores da América Latina passam para o dobro e na Ásia-Pacifico ainda mais

Considerados os maiores dezanove países da América Central e do Sul, o relatório da “Digital TV Research” projeta um total de 48,24 milhões de subscritores em 2023 que comparam com 21,14 no final de 2017. Significa que 28,4% dos lares virão a ter acesso pago a SVOD. O México é indicado como o líder na adesão com uma quota regional de 36%. Apesar do Brasil ser o mais populoso, a fatia do bolo ficar-se-á pelos 27%. Também na América Latina a Netflix deverá manter a primeira posição na lista dos fornecedores mais populares, com previsíveis 23,99 milhões de subscritores, cerca de metade do total.

Na Ásia-Pacífico, a mais populosa de todas as regiões, o número de subscritores passará de 141 para 351 milhões, considerado o arco de tempo estudado. A China, só por si, virá a valer dois terços do total com uma previsão de 235 milhões de aderentes. Quando chegarmos a 2023, três companhias chinesas de SVOD ocuparão os três primeiros lugares da tabela de distribuição digital; a Netflix terá o quarto lugar; a Amazon fechará o top cinco. As três plataformas chinesas (Tencent, Youku Tudou e iQiyi) terão uma quota de 54% do mercado regional. A Netflix é, porém, indicada como a que obterá maiores receitas na Ásia-Pacífico, com 2690 milhões de euros. Simon Murray antecipa que “as receitas vão triplicar” de apenas 4,31 para 12,95 mil milhões de euros. “A quota da China manter-se-á em cerca de metade do total”.

Contrastes africanos

Ainda muito pouco populares e muito pouco disseminados, os serviços pagos de “video on demand” vão ter um crescimento supersónico no Médio Oriente (Turquia incluída) e em África. Partindo de uma soma fechada de 5,22 milhões de subscritores em 2017, no Médio Oriente e Norte de África, as estimativas preveem que a barreira dos 20 milhões venha a ser ultrapassada no final do período analisado. A Turquia somará e seguirá na liderança com 6,72 milhões – cerca de um terço. A Netflix dominará também nestas paragens com a previsão de 3,57 milhões de subscritores nos países falantes de árabe e de 7,41 milhões se considerada toda a região.

A velocidade “sky rocket” de crescimento previsto verifica-se igualmente na região da África subsariana. De 1,56 para 9,99 milhões, considerados os mesmos pontos de partida e chegada, neste caso para um universo de 35 países. A estimativa de receitas manter-se-á baixa, porém, dados os preços baixos por comparação com as restantes regiões do globo. Está projetada uma receita total de 665 milhões de euros em 2023. A África do Sul manter-se-á no topo com 3,37 milhões de subscritores, seguida pela Nigéria com 2,61. Os dois países representarão 60% dos clientes de SVOD na região em 2023. A Netflix faz bis e manterá a liderança do consumo de televisão por internet com 40% da penetração.