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Kubrick, odisseia na Terra

MGM Studios

A propósito do cinquentenário de “2001 — Odisseia no Espaço”, uma oportuna e reveladora exposição das reportagens fotográficas do jovem Stanley Kubrick para a “Look” no Museu da Cidade de Nova Iorque

Lembro-me muito bem onde estava quando Neil Armstrong chegou à Lua e deu o “salto de gigante para a Humanidade”. Em julho de 1969 estava em Oxford, prestes a concluir o meu doutoramento em química. Nessa noite histórica de 20/21 de julho segui pela BBC1, na Middle Common Room do Sacher Building – a residência dos estudantes graduados do New College – a transmissão em direto da alunagem e do “pequeno passo” de Armstrong, eram quase quatro da manhã. Estava uma noite esplêndida e estrelada. Saí para o jardim e fotografei, com a minha Leica M3, o quarto crescente. (Galileo Galilei tivera razão quando, 360 anos antes, declarara a Lua “uma coisa muito bonita e agradável de se ver”; o seu exato contemporâneo William Shakespeare teria a mesma opinião ao pôr o rústico alfaiate Robin Starveling a fazer de Luar em “Píramo e Tisbe”, a peça dentro da peça que é “Um Sonho de uma Noite de Verão”.)

A alunagem do Homo sapiens e a respetiva transmissão visual em direto foram certamente os maiores triunfos técnicos da Humanidade no século XX, comparável à invenção da roda nos primórdios da civilização. No entanto, o que recordo são imagens desfocadas e difusas e um som às vezes indecifrável, a ponto de ainda hoje ser discutível se Neil Armstrong disse, como queria, “a small step for a man” (um pequeno passo para um homem), ou apenas “a small step for man” (um pequeno passo para o Homem). A falta (ou não) do artigo vale, aqui, pela Humanidade inteira! Que contraste com a perfeição cinematográfica (e musical) do filme de Stanley Kubrick, “2001 – Odisseia no Espaço” (1968), do ano anterior! Lembro-me de ter pensado então que a ficção poderia ser muito mais bela, perfeita e convincente do que a realidade!

Para ler a entrevista na íntegra clique AQUI