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Cohn-Bendit e José Mário Branco juntos no Porto

José Mário Branco é o homenageado deste ano na Feira do Livro do Porto

Tiago Miranda

Esta sexta-feira foi inaugurada a Feira do Livro que vai homenagear José Mário Branco na sua vertente de criador literário

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Em tempos de inquietação, os antigos companheiros de luta estudantil do Maio de 68, em Paris, voltam a encontrar-se, no Porto, durante a Feira do Livro, a decorrer nos jardins do Palácio de Cristal desde ontem até 23 de setembro. 50 anos após a histórica revolta dos estudantes que paralisou França e ultrapassou fronteiras, Daniel Cohn-Benit vem a Portugal participar, pela primeira vez, numa feira do livro. O mote inevitável são “as revoluções imprescindíveis”, passadas e presentes, com o historiador Rui Tavares, sexta-feira, dia 14.

Esta sábado, um dia depois da inauguração da Feira do Livro que vai homenagear José Mário Branco na sua vertente de criador literário, o autor de “Ser Solitário” conversa com Anabela Mota Ribeiro, dando início ao ciclo de debates diários e em que a palavra escrita se cruzará inevitavelmente com a cantada. Como nas edições anteriores, ao homenageado, natural do Porto como os seus antecessores,será atribuída uma tília, vizinha de Sophia, Agustina, Vasco Graça-Moura ou Mário Cláudio, na Avenida das Tílias que alberga os 130 ‘stands’ das grandes, pequenas e micro editoras presentes do evento. Numa feira que os programadores Anabela Mota Ribeiro e José Eduardo Agualusa pretendem que seja “mais do que um ponto de venda de livros, uma festa da palavra, da leitura e do pensamento”, o mote é o chamamento de novos públicos, “através do contacto entre visitantes e escritores”.

Da Feira nasceu um conto

No auditório da Biblioteca Almeida Garrett irão cruzar-se novos nomes e autores consagrados da literatura, do agora septuagenário herói de 68 a Mia Couto, Telma Tvon, Kalaf Epalanga ou Leila Slimani, vencedora do prémio Goncourt 2016 com ‘Canção Doce’, que “poderia ser o título genérico” desta Feira do Livro, diz Agualusa. Na área dos debates, não deixará de ser curioso o encontro geracional e filial Mário de Carvalho/Ana Margarida de Carvalho, que debutam juntos em público para discutir literatura. Aos participantes dos debates, será entregue um conto inédito alusivo às feiras do livro do Porto, fruto da recente residência artística de um mês na Invicta do escritor brasileiro Bernardo Carvalho. O orçamento total da feira é de € 200 mil, o mesmo do ano passado, sendo metade da verba coberta pelo aluguer dos pavilhões.