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Jason Bateman fala sobre “Ozark” e não foge às comparações com “Breaking Bad”

A atriz Julia Garner interpreta Ruth Langmore, uma jovem rufia que promete protagonizar vários momentos-chave da nova temporada

Netflix

Nomeada para quatro Emmys 
e a duas semanas de descobrir se sairá vencedora, “Ozark” ganhou novos episódios. Na companhia da atriz Julia Garner, o ator e realizador falou 
ao Expresso 
sobre a segunda temporada da série, 
já disponível 
no Netflix

Os Byrde têm um plano para recuperarem a vida que tinham, mais calma do aquela que agora têm na região de Ozarks, mas não será fácil cumpri-lo. Os esquemas em que já se envolveram deixaram marcas e são cada vez mais os que desconfiam da inocência da família na região. O consultor financeiro Marty (Jason Bateman) — respeitável homem de negócios que em Chicago também ajudaria na lavagem de dinheiro para um cartel de droga — foi obrigado a sair da cidade com a família e a trabalhar diretamente para o grupo de mafiosos com o qual se havia envolvido. Mudou-se para o sul com a mulher Wendy (Laura Linney) e os filhos Charlotte (Sofia Hublitz) e Jonah (Skylar Gaertner).

Foi por lá que os vimos a criar novos problemas sempre que tentavam resolver os anteriores e a promessa está feita: isso não vai mudar. Se na primeira temporada de “Ozark” se puseram em todo o tipo de confusões quando tudo o que queriam era sair delas, os novos capítulos prometem ainda mais ação. E consequente perda de vidas humanas. “Vamos continuar a ver pessoas a perder a batalha pela vida. Há mais morte a caminho”, diz o ator, produtor-executivo e realizador Jason Bateman, brincando com a precariedade imposta pela história àqueles que a interpretam. “Não é um projeto seguro para se estar enquanto ator”, diz, com a atriz Julia Garner a completar a ideia do colega. “Mantém toda a gente no limite!”

Pode parecer maldade, mas são apenas as regras do processo criativo. Há caras que entram e outras que saem, num jogo imprevisível que dá nova vida à narrativa. “É uma das coisas que as pessoas que veem este tipo de séries esperam, que personagens importantes morram”, expressa Bateman sem revelar de quem pode estar a falar. A expectativa de perceber “como é que os responsáveis vão seguir com a história é também um dos momentos de intriga que interessa às pessoas”. Fica a garantia de que “na segunda temporada há muito mais que se perde do que se ganha”.

Em relação às suas próprias personagens, Jason Bateman garante que a missão de Marty se mantém — “Ele só quer manter a sua família viva e livrar-se deste problema” que o assombra — mas que nem sempre conseguirá chegar a bom porto. “Às vezes torna o problema ainda pior, outras vezes faz alguns progressos.” Certo é que Ruth Langmore, a personagem de Julia Garner, estará lá em todos os momentos e que será uma peça-chave ao longo da temporada, mas isso não faz com que a rufia agora se apresente mais moderada. “Ela sente tanta vergonha de si mesma, por causa da situação em que se encontra, que começa a culpar outras pessoas e a reagir de uma forma louca. É muito impulsiva mas também muito vulnerável”, caracteriza a atriz.

HUMOR E VULNERABILIDADE

Quanto ao tom escolhido para os novos capítulos, Jason Bateman avança ao Expresso que decidiram “ter um pouco mais de humor na segunda temporada, mas não muito mais”. Acontecerá sobretudo em situações em que determinada personagem acaba por perder o controlo ou reagir de forma exagerada, abrindo a possibilidade para que esse seja olhado como um momento de humor. “A personagem não se apercebe de que a situação tem piada, porque está a vivê-la, mas é divertida para os telespectadores. O humor virá sempre de momentos de observação da vulnerabilidade, nunca de piadas ou coisas do género.” Será sempre uma pequena nuance, numa série conhecida por cruzar a ação e o suspense a cada cena. “Na maior parte do tempo, as coisas mantêm-se bastante inquietantes, até pelo que esta família está a passar. Eles estão a tentar ultrapassar as adversidades a cada momento, mas claro que nunca o conseguem durante muito tempo... Ou então a série já teria acabado.”

“Ozark” é uma daquelas produções que tem os ingredientes certos para uma vida longa — é um drama familiar com uma forte componente criminal — e há comparações impossíveis de evitar. Uma delas é com “Breaking Bad”. Jason Bateman sabe disso e aceita sem qualquer pudor o desafio de comentar as semelhanças encontradas. “‘Breaking Bad’ é um dos melhores programas da história recente, pelo que se conseguirmos ser tão bons como eles acho que nos podemos orgulhar”, começa por enquadrar, para depois concordar com as referências. “Acho que as comparações são compreensíveis, tendo em conta que ambas têm uma família americana normal em circunstâncias muito especiais e isso é algo muito interessante e com o qual os telespectadores se podem identificar. Felizmente, quando as pessoas veem ‘Ozark’ descobrem outras coisas sobre a nossa série das quais podem usufruir. E que diferem de ‘Breaking Bad’.”

Se o trabalho criativo obriga a diferenciar cada produção de propostas anteriores, as semelhanças com “Breaking Bad” (produzida pelo AMC, exibida na SIC Radical e disponível no Netflix) podem também ser um bom presságio. “Ozark”, que ganhou novos episódios esta semana, está nomeada para quatro Emmys — uma dupla nomeação na categoria Melhor Realização de um Episódio (Drama), para Daniel Sackheim e para Jason Bateman, Melhor Ator (Drama) para Jason Bateman e Melhor Direção de Fotografia, para Ben Kutchins — e promete continuar a dar cartas. Criada por Bill Dubuque e Mark Williams, a série conta com Jason Bateman, Laura Linney, Julia Garner, Jason Butler Harner, Sofia Hublitz, Skylar Gaertner, Jordana Spiro, Peter Mullan, Lisa Emery e Trevor Long​ no elenco. Janet McTeer, que vai interpretar uma advogada com ligações ao quartel, é o principal reforço da temporada. Os 10 episódios da segunda temporada estão já disponíveis em streaming no Netflix.

OZARK

De Bill Dubuque e Mark Williams

Com Jason Bateman, Julia Garner, 
Laura Linney, Trevor Long

Netflix, já em streaming
(Temporada 2)