Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Festival de Veneza — A noite de Lady Gaga

Lady Gaga no filme “A Star is Born”...

No grande ecrã e na passadeira vermelha, ela reinou

Jorge Leitão Ramos

Jorge Leitão Ramos

Em Veneza

Jornalista

E, ao quarto dia, Lady Gaga chegou a Veneza. Chegou com um filme sobre o qual, a seis meses de distância, já há rumores de Óscares (o que só quer dizer que os seus produtores estão a investir já nesse sentido) — “A Star is Born”. E, sobretudo, chegou em pessoa, fazendo afluir à proximidade da passadeira vermelha uma multidão entusiasta, apesar da incomodativa chuva que, na passada sexta-feira, também resolver visitar a 75ª Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica. Assinou autógrafos, posou para as fotografias da praxe, reinou. Ao vivo e a cores, para quem esteve próximo, ela teve a exuberância de produção — incrível vestido! — que lhe está nos genes da imagem de marca que inventou. Nem tanto, na sessão fotográfica tradicional e ainda menos no filme que teve estreia mundial em Veneza.

...com Bradley Cooper à chegada à tradicional sessão de fotografias...

...com Bradley Cooper à chegada à tradicional sessão de fotografias...

No filme, Lady Gaga é uma mulher normal — e essa normalidade, o lado desproduzido da personagem de jovem empregada de restaurante que se torna uma estrela graças ao impulso que um homem, vedeta em alcoólica decadência, lhe concede, é um dos trunfos do filme. Quarto remake de uma história nada nos anos 30 (a personagem já foi de Janet Gaynor, Judy Garland e Barbra Streisand, antes de ser de Lady Gaga), esta estreia na realização de Bradley Cooper, que partilha o topo do cartaz com a atriz, é ele a vedeta em declínio, não se consegue medir com a melhor versão já feita, a de Cukor, em 1954. Curiosamente, não é porque Lady Gaga não tenha a nevrótica energia de Judy Garland, mas porque Bradley Cooper não consegue a elegância trágica de que Cukor era capaz e, ainda menos, o lado abissal que James Mason transmitia. Ainda assim, este “A Star is Born”, versão de 2018 (com estreia portuguesa agendada para 11 de outubro) é filme com força bastante para um bom desempenho em termos de grande público, já que Cooper segue as regras do melodrama e sabe manobrar as emoções da plateia. Talvez até demais...

...e na passadeira vermelha

...e na passadeira vermelha

Entretanto, na passadeira vermelha de Veneza não foi nada disso que passou, foi o brilho mediático de um ícone. Algo de que os festivais de cinema precisam como de pão para a boca. E que ajudam a moldar.