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Quem matou Rachel Argyll?

Arthur Calgary (Luke Treadaway), Rachel Argyll (Anna Chancellor), Leo Argyll (Bill Nighy) e Kirsten Lindstrom (Morven Christie) são quatro das personagens de “Ordeal by Innocence”

A minissérie “Ordeal by Innocence”, baseada no livro homónimo de Agatha Christie, já está disponível no Amazon Prime Video

As suas histórias contam com inúmeras adaptações no grande e no pequeno ecrã, mas uma história como a de “Ordeal by Innocence” merecia um nome experiente na sua adaptação. Sarah Phelps — conhecida pelo seu trabalho em títulos como “EastEnders” (Netflix), “Convite Para a Morte de Agatha Christie” (FOX Crime), “Uma Morte Súbita” (TVSéries) ou “The White Princess” (TVSéries) e que está a trabalhar em “The Dublin Murders”, ainda sem distribuição anunciada — é a responsável por dar uma nova vida ao volume, que agora ganha uma versão televisiva de curta duração.

A verdade é que o livro “Ordeal by Innocence” parece ter sido talhado para se transformar numa série de sucesso, mas nada seria possível sem uma mente capaz de conjugar tudo e criar um produto de entretenimento que fizesse jus ao génio da escritora de policiais. É esse o caso, e Sarah Phelps não poupa nas palavras quando o assunto é a série que desenvolveu desde o início. Trata-se de “uma família que está absolutamente mergulhada em alguns segredos terríveis e sombrios” e “não existe uma pessoa nesta família que não tenha um esqueleto no armário”, conta Sarah Phelps. Em declarações à imprensa a propósito de “Ordeal by Innocence”, a autora explica ainda que nem tudo o que se esconde tem as mesmas proporções — pode ser “um pequeno segredo ou um grande segredo” com capacidade para “derrubar uma família inteira” —, mas que a existência deste lado de secretismo “é uma ótima premissa” para uma história de mistério assim.

Passada na Escócia da década de 50 (no livro Inglaterra é o pano de fundo), “Ordeal by Innocence” apresenta o drama da família Argyll, que sofreu com o trágico homicídio da matriarca, Rachel, e que agora terá de lidar com novas informações sobre o caso. O filho adotivo, Jack, foi responsabilizado pelo crime, mas o aparecimento de um homem com provas da sua inocência pode mudar tudo 18 meses depois. É que se Jack não é o verdadeiro culpado, então este estará de certo na propriedade de Sunny Point. “Quando estás a escrever uma adaptação para televisão, é preciso que algo aconteça e que dê um motivo para continuar”, justifica Phelps, que decidiu dar um maior relevo à personagem de Dr. Arthur Calgary do que aquele que Agatha Christie tinha atribuído ao cientista.

Calgary só não apareceu mais cedo por estar numa expedição no Ártico, diz, mas enquanto esteve fora a vida continuou (exceção feita à de Jack, que morreu na prisão) em Sunny Point. Leo, viúvo de Rachel, está prestes a casar-se com Gwenda, a sua secretária, e está longe de querer que o caso volte a assombrar a família. O mesmo sucede com Mary, Mickey, Tina e Hester, os outros filhos adotivos de Rachel, ou a governanta Kirsten. Apesar disso, não têm como fugir.

PROBLEMAS NA PRODUÇÃO

Produzida pela Mammoth Screen com a Agatha Christie Limited, a série realizada por Sandra Goldbacher conta com Anthony Boyle, Bill Nighy, Christian Cooke, Anna Chancellor, Morven Christie, Matthew Goode, Ella Purnell, Eleanor Tomlinson e Luke Treadaway no elenco, mas nem todos os nomes estão no projeto desde o início. Os produtores executivos (entre os quais se contam a argumentista Sarah Phelps e Karen Thrussell, Damien Timmer e Helen Ziegler da Mammoth Screen, assim como James Prichard e Basi Akpabio da Agatha Christie Limited e Gaynor Holmes da BBC) tiveram de fazer alterações na sequência de um escândalo sexual. Christian Cooke foi o nome escolhido pela equipa para substituir Ed Westwick, depois de este ter sido alvo de acusações de abuso sexual por quatro mulheres.

A série já tinha sido totalmente rodada quando o caso rebentou — entretanto as autoridades norte-americanas consideraram que não havia evidências suficientes para prosseguir com as acusações —, mas isso não impediu os produtores de optarem pelo regresso às filmagens, ao passo que em “White Gold” (da BBC e disponível no Netflix) optou-se por interromper as filmagens. O projeto de Sarah Phelps estava entre as apostas televisivas da BBC para o final do ano passado, mas acabou adiado e o elenco voltou a reunir-se. Bastaram 12 dias no set de filmagens para que cerca de um terço da série fosse substituída — a versão final, de cerca de três horas dividas em três episódios conta com 42 novos minutos de película — e o resultado final pode agora ser conhecido fora do Reino Unido.

Depois de se estrear na BBC One em abril, “Ordeal by Innocence” está agora disponível em streaming no serviço de televisão pela internet Amazon Prime Video.

Em produção, numa nova parceria entre o canal público britânico e o gigante do comércio eletrónico norte-americano, está já uma nova série. “The ABC Murders”, protagonizada por John Malkovich no papel de Hercule Poirot e que conta também com argumento de Sarah Phelps, é a próxima aposta e promete surpreender. A promessa fica feita — o futuro estará cheio de histórias de Agatha Christie na televisão — mas agora é tempo de descobrir quem matou Rachel Argyll.

ORDEAL BY INNOCENCE

De Sarah Phelps

Com Anna Chancellor, Anthony Boyle, Bill Nighy, Christian Cooke, Luke Treadaway, Matthew Goode, Morven Christie

Amazon Prime Video, já em streaming
(Temporada 1)