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Douro Rock: uma colheita de “felicidade” encorpada com Xutos & Pontapés

D.R.

The Legendary Tigerman, The Gift, Frankie Chavez e Samuel Úria são outros dos destaques na terceira edição do Douro Rock, realizado no Peso da Régua, entre 10 e 11 de agosto

Um festival é como um bom vinho: precisa de tempo para maturar, apurar a identidade estética e ficar mais encorpado no panorama nacional. Assim acontece com o Douro Rock, evento composto por uma colheita 100% portuguesa, proveniente de uma casta trepidante. A seleção é criteriosa e servida aos melómanos no Peso da Régua, no coração da região demarcada mais antiga do mundo - numa paisagem esculpida pelo rio, os socalcos e as colinas de xisto -, considerada Património da Humanidade pela UNESCO.

A palavra-chave para a receita musical dar frutos é “felicidade”, revela Miguel Candeias, um dos organizadores do certame, realizado entre 10 a 11 de agosto. A terceira edição apresenta uma carta de sabores sonoros diversificados, numa programação onde estão “engarrafados” nomes como Xutos & Pontapés, The Gift, Legendary Tigerman, Samuel Úria, Frankie Chavez, Mishlawi, Kappa Jotta e The Twist Connection.

Num país no qual tanto se debate o tema da descentralização, os festivais de verão são um veículo para fazer desaguar a música em novas paragens, numa corrente alastrada para as margens dos grandes centros urbanos, onde o convívio com a sumptuosidade da natureza é conectado, através do fio condutor da arte, à eletrizante música moderna portuguesa.

"É muito fácil definir esta colheita. Fomos ver as castas que tivemos nas edições anteriores e aquelas que estávamos ansiosos por ter este ano. O algoritmo é mais ou menos o mesmo. Apresentar nomes mais consagrados com outros mais emergentes, mas todos eles com carreiras já muito sólidas e afirmadas", explica, ao Expresso, o programador Miguel Candeias, para quem a onda festivaleira do Douro Rock pode levar na maré um público “dos oito aos 80” anos de idade.

O primeiro dia (sexta-feira, 10 de agosto) arranca com Kappa Jotta (21h), Frankie Chavez (22h), Samuel Úria (23h) e fecha com The Gift (00h30) a conduzir o público ao “Altar” (2017), concebido pela banda, em 2017, resultante do casamento criativo com o incontornável produtor britânico Brian Eno.

Hans-Peter van Velthoven

O cartaz alinhavado para sábado conta com Mishlawi (21h), The Twist Connection (22h), The Legendary Tigerman (23h) e termina com a atuação dos Xutos & Pontapés, uma banda há muito namorada pela organização do festival.

"Era um amor antigo e tem um significado especial contar com os Xutos, num ano muito complicado para a banda, até porque estavam fechados há muito tempo”, conta Miguel Candeias. “O Zé Pedro sabia que ia estar no Douro Rock e com quem ia tocar. Trocávamos muitas impressões. Estava bastante entusiasmado, até pela relação de amizade - de mais de 30 anos - que tínhamos. Esteve desde o início connosco, até na escolha do nome ou na sugestão de algumas bandas. O 'Zeca' está sempre presente", frisa o organizador, para quem esta é a melhor “homenagem” ao guitarrista.

A primeira edição contou com a presença de aproximadamente 5 mil pessoas no recinto, número duplicado no ano passado. "É um festival com uma personalidade forte, embora pequeno, porque é nessa dimensão que queremos estar. Não pretendemos ser concorrência aos grandes festivais, mas constituir uma alternativa. Queremos que as pessoas se divirtam e que passem um fim de semana de felicidade, que é uma palavra que eu gosto muito”, afirma Miguel Candeias, assegurando que a programação de 2019 já está a ser planeada, com três bandas asseguradas até ao momento.

Os bilhetes têm o custo de 15 euros e garantem o acesso aos dois dias do festival, bem como ao parque de campismo do Douro Rock. Outras informações adicionais podem ser consultadas AQUI.