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Maior cadeia de supermercados dos EUA prepara entrada em grande no negócio da televisão por streaming

d.r.

A Walmart, uma das maiores cadeias de venda a retalho tradicionais do mundo, prepara-se para entrar no campeonato do Over The Top TV nos Estados Unidos. Alvo: o americano médio, não urbano, do coração da América

Luís Proença

A Walmart, uma das maiores cadeias de venda a retalho tradicionais do mundo, pode estar à beira de entrar no campeonato do OTT TV (“Over The Top TV”) nos Estados Unidos. O sim ou sopas quanto a uma decisão definitiva deve ocorrer no final do verão ou com a chegada do próximo outono.

Mark Greenberg, o antigo Chief Executive Officer (CEO) da EPIX, um canal premium de cabo e por satélite norte-americano, terá sido convidado a orientar o desenvolvimento do projeto, de acordo com o Wall Street Journal. Nada se sabe sobre quais os conteúdos televisivos que poderão vir a ser disponibilizados, mas já foi dado a saber que o serviço de video on demand (VOD) deve dirigir-se ao “americano médio”, não-urbano, e com um preço base pela subscrição mensal abaixo da tabela dos principais concorrentes: Netflix, Amazon Prime Video e Hulu.

No essencial, o plano de negócio aponta para a captação de subscritores entre o ‘core’ dos clientes habituais da Walmart no coração da América, nos estados interiores, e longe das megacidades das costas Leste e Oeste, onde os gigantes do negócio estão maduramente implantados.

A maior diferença no “business plan” que está a ser desenhado face aos principais concorrentes pode vir a residir na criação de uma nova via de acesso: um modelo de distribuição gratuita que em contrapartida inclui publicidade televisiva.

Quem subscrever e quiser ter acesso somente aos conteúdos, sem qualquer anúncio, também terá essa possibilidade, pelo que se vai fazendo constar, ao preço mais baixo do mercado: 6,85 euros por mês. A Netflix está a cobrar 9,40 euros desde outubro do ano passado e a Amazon aumentou o preço em janeiro deste ano, para 11,11 euros por mês. Somente a Hulu, o terceiro mais subscrito na tabela dos SVOD norte-americano, tem as duas opções – acesso com e sem anúncios publicitários. Com publicidade agregada, a mensalidade custa 6,83 euros e sem anúncios fica pelos 10,25.

d.r.

Apesar de nem a Walmart nem Mark Greenberg se terem pronunciado oficialmente sobre qualquer um dos eixos de desenvolvimento da nova plataforma, é feito saber que o plano prevê a criação de um SVOD novinho em folha - e não uma recriação ou adaptação do já velhinho serviço chamado Vudu, adquirido pela Walmart há dez anos, que vende ou aluga conteúdos de entretenimento, nem do Movies on US, um serviço de streaming gratuito suportado por publicidade que dispõe de um acervo de cinco mil filmes e programas televisivos.

Numa tentativa de conversão e acompanhamento das mudanças de hábitos de consumo de entretenimento televisivo, a Walmart lançou na sua rede de grandes superfícies um serviço que permite converter os filmes em DVD e Blu-ray em ficheiros digitais a partir de casa por um preço que varia entre os dois (DVD) e os cinco dólares (Blu-ray).

O convite a Mark Greenberg para orientar a arquitetura do projeto não cai do céu aos trambolhões. Greenberg foi um dos cofundadores do EPIX, o primeiro canal de cabo desenhado para abarcar as várias vias de distribuição multiplataforma: televisão linear, video on-demand e dispositivos digitais.

Nos últimos dez anos, e até à tomada da maioria acionista do EPIX pela MGM, há cerca de ano e meio, Greenberg dirigiu as operações do canal enquanto CEO. Desde 2009 que o EPIX está disponível em multiplataforma, mas somente para os subscritores dos serviços de distribuição por cabo em que o canal premium é disponibilizado. Após a saída de Greenberg foi anunciado o desenvolvimento do EPIX para a distribuição em regime de OTT.