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Quem não quer casar-se com a produtora de “La Casa de Papel”?

d.r.

Assim de rajada e num par de semanas sucedem-se os anúncios públicos de contratos, renovações, parcerias e coproduções com a empresa de produção televisiva espanhola que cuidou de trazer “La Casa de Papel” aos ecrãs com o estrondo mediático que ainda se faz ouvir

Luís Proença

Por ordem de entrada em cena, a Netflix veio renovar os votos da relação já madura com a Atresmedia Studios, o braço armado de produção de ficção do canal privado de televisão Antena 3. O novo acordo prevê que a Netflix tenha acesso preferencial e prioritário às séries que venham a ser desenvolvidas pela Atresmedia para distribuição internacional exclusiva através da sua plataforma de SVOD (“Subscription Video on demand”). Na linha de partida para vir a integrar o catálogo da Netflix anuncia-se “Fariña”, uma série thriller atualmente em exibição na Antena 3 passada na Galiza e que gira em torno do tráfico de droga, coproduzida pela alemã Beta Film e pela espanhola Bambú. Seguir-se-á “La Catedral del Mar” em coprodução com a Diagonal e na qual a Netflix entendeu apostar na origem através de cofinanciamento quando a série estava ainda e apenas em guião. O reforço dos laços entre a Netflix e a Atresmedia agora trazido a público é do mais natural. Ainda há três meses fecharam um acordo de licenciamento que permite à Netflix ir avante e de braço dado com a Vancouver Media na produção da terceira temporada de “La Casa de Papel” aprazada para chegar aos ecrãs no ano que vem. As duas primeiras temporadas tornaram-se na série (em língua não-inglesa) mais vista na história da Netflix, depois de uma modesta ‘performance’ de audiências quando foi exibida em canal aberto na Antena 3 em Espanha. A primeira temporada (nove episódios) transmitida às terças-feiras no horário nobre (22:15) à entrada do verão do ano passado alcançou audiências ligeiramente acima da média da estação para o dia da semana e ‘slot’ horário em causa. No regresso, aquando da rentrée em meados de outubro, a segunda temporada de “La Casa de Papel” foi-se francamente abaixo, tendo terminado com 10% de ‘share’ (quota de mercado), quando a expectativa se fixa geralmente entre os 18% e os 20%. Seguindo a política de reserva sobre audiências da casa, a Netflix fez saber que “La Casa de Papel” rebentou a escala das preferências quando foi disponibilizada no último trimestre do ano passado. Tanto que o gigante do streaming (mais de 130 milhões de subscritores anunciados no final de junho) fechou contrato de exclusividade com Álex Pina, o criador e produtor da série e cofundador da Vancouver Media para o desenvolvimento de novas séries.

d.r.

Para a Atresmedia, a renovação de votos com a Netflix significa prolongar o ciclo de vida e obter consequentemente receitas acrescidas com a internacionalização das séries. Face à perda de audiências que impactam os operadores televisivos em canal aberto em geral e perante o crescimento do consumo através das plataformas de ‘streaming’, pais a pais ou à escala global, a Atresmedia tem vindo a ajustar o foco das suas produções de modo a que estejam mais ajustadas aos espectadores do SVOD, mesmo que signifique tornarem-se menos apelativas para exibição linear. Atualmente o cardápio da Netflix inclui as seguintes séries com a chancela da Atresmedia: “Velvet”; “Gran Hotel”; “La Casa de Papel”; Mar de Plástico”; “Vis a Vis”; “El Barco”; “El Internado”.

Retomando a entrada em cena, também a Amazon Prime Video vem piscar o olho à tão pretendida Atresmedia. Senão pelas séries dramáticas arrebatadas pela Netflix, então pelas séries cómicas. E desta feita fecharam um acordo que permite à Amazon Prime estrear em SVOD as séries humorísticas da Atresmedia antes de serem exibidas em canal aberto em Espanha. E para começar a festa: “Pequeñas Coincidencias”. A serie ainda em fase de pré-produção segue a vida de um casal jovem-adulto que ainda não se conhece. Ela com 37 anos tem o hábito de mudar de namorado a cada cinco anos. Decidiu abrir uma loja. Ele, 40 anos, é um bem-sucedido critico gastronómico que leva vida de solteiro, em modo ‘bon vivant’, e se vê confrontando com o desconforto de ter de albergar o irmão recém-divorciado. E por aqui nos ficamos para princípio de história de uma série sem número anunciado de episódios, ainda a trabalhar ‘castings’ para fechar o elenco.