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Virginia, a inglesa que desafiou a aristocracia ribatejana

Uma inglesa de 21 anos atravessa a Europa de carro, em 1961, atrás do sonho de se tornar toureira a cavalo. Concretiza-o contra um Portugal patriarcal e machista e uma Inglaterra sensível aos direitos dos animais. Tudo teria sido esquecido não fosse Clara Macedo Cabral ter conhecido um irmão de Virginia num beberete, e ter escrito um livro

“Alibabá” ficara em terra, tal como “Belmonte”. Virginia entrara no navio com destino a Southampton sem levar nenhum dos seus dois queridos cavalos. Alberto, ponto diminuído no cais até Virginia já não o conseguir distinguir, teria de os vender nas próximas semanas. O dia, de inverno, só poderia ser triste, pesaroso. Aquele adeus não era uma despedida. Era um fracasso. Uma capitulação. A sociedade, a família, o dinheiro vencera-os. Terminavam quatro intensos anos. Virginia e Alberto punham fim aos sonhos, depois de se terem superado. Mas ainda era cedo para enterrarem a esperança.

Ficara combinado entre os dois amantes um encontro no México, arremesso de um novo início. No continente das promessas, montariam cavalos desafiando a natureza das feras. Esqueceriam o passado, os atilhos. Viveriam a paixão, a deles, e ainda a de enfrentarem os touros. Naquele dia não o sabiam — ainda que, de algum modo, o pudessem intuir —, mas o México nunca viria a existir para os dois. Nem o futuro.

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