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“Tu fazes arte, e não tens de te arrepender”. Joly Braga Santos morreu há 30 anos

Joly Braga Santos em 1978, 
a dirigir no São Carlos um ensaio da sua 
“4ª Sinfonia”, para 
um concerto que 
seria o último da sua carreira de maestro

ARQUIVO PESSOAL DE PIEDADE E LEONOR BRAGA SANTOS

Foi um dos maiores compositores portugueses, autor de uma centena de obras. José Manuel Joly Braga Santos fez música até ao fim mas deixou alguns silêncios. Morreu há 30 anos

Em 1924, Luís de Freitas Branco escrevia a sua “1ª Sinfonia”. Morria Teófilo Braga, Portugal navegava as águas da I República, e os jornais falavam de um país intransitável ao ponto de uma simples viagem entre Lisboa e a Parede, a escassos 20 quilómetros de distância, demorar cerca de uma hora e meia. Havia também a questão do mundo e da sua deriva, de Vladimir Ilyich Ulyanov, conhecido por Lenine, que desaparecia meses antes de um tal Hitler ser condenado a cinco anos na prisão de Landsberg por tentativa de golpe de Estado. Mais prosaicamente, contava-se que um chefe italo-americano de apelido Cardini inventara uma salada como não haveria nenhuma outra, a qual cunharia de “César”. Nesse mesmo ano, nasceriam Mário Soares e Joly Braga Santos, e ambos haveriam de cruzar-se. Mas isto os jornais ainda não podiam noticiar.

Porque só no futuro o presente nos parece premonitório. Hoje resulta difícil não relacionar esse ponto final de Freitas Branco na sinfonia dedicada ao filho João, e na qual vinha trabalhando há mais de uma década, com o nascimento daquele que viria a ser o seu maior discípulo, filho musical e colaborador. Alguns anos mais tarde, quando Joly atingisse também aquele patamar e a sua “1ª Sinfonia” fosse estreada, o mestre registaria numa carta: “Não quero esperar nem mais um minuto para te dizer que é, até agora, a tua melhor obra. Por vários motivos estás num caminho que tem saída, ao contrário da maioria dos compositores contemporâneos, que andam à roda, num estilo sem possibilidades de futuro. Tu, querido José, fazes arte, e não tens de te arrepender da árdua carreira que escolheste.” Joly, José Manuel Joly Braga Santos, escreveu mais cinco sinfonias e ao todo mais de cem obras. Esse foi o seu futuro.

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