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A rosa dos ventos da música erudita e do jazz aponta para Espinho

Carlos Oliveira

O violinista Dmitry Sinkovsky, o "bruxo" do jazz brasileiro Hermeto Pascoal, os pianistas Mário Laginha, Pedro Burmester e o alemão Lars Vogt, assim como o francês Michel Portal e Edin Karamazov são alguns dos destaques do Festival Internacional de Música de Espinho, realizado entre esta sexta-feira e 21 de julho

O Festival Internacional de Música de Espinho (FIME) surgiu, pela primeira vez, em 1964, num tempo em que o espectro festivaleiro ainda não pairava em Portugal. A vontade de levar as geografias sonoras mais desafiantes da música erudita e do jazz até ao município foi preservada ao longo do tempo. O evento chega revigorado à 44.ª edição, preparada para contagiar a cidade até 21 de julho com uma programação composta por 11 concertos e aproximadamente 200 intérpretes.

O certame tem como epicentro artístico o Auditório de Espinho, mas alastra-se a outros locais do concelho, como a Igreja Matriz, Capela de Nossa Senhora da Ajuda, Praça Dr, José Salvador e, este ano, com um espetáculo junto à Piscina Solário Atlântico. A itinerância trata-se de uma lógica de "comunicação territorial com os espaços", explica ao Expresso Alexandre Santos, coordenador de um festival que evidencia "preponderâncias de formações orquestrais, quer sejam barrocas ou clássicas".

O cartaz conta com a presença dos pianistas Pedro Burmester, Mário Laginha e o alemão Lars Vogt. A estes juntam-se referências consagradas como o saxofonista francês Michel Portal, o alaúdista bósnio Edin Karamazov ou o incontornável compositor brasileiro, de 82 anos, Hermeto Pascoal. O FIME arranca esta sexta-feira, pelas 22h, com um concerto do multifacetado violinista Dmitry Sinkovsky a dirigir o agrupamento “La Voce Strumentale”, fundado em 2011 e constituído por músicos de toda a Europa. O espetáculo de abertura, no Auditório de Espinho, revisita a música barroca e o repertório de Vivaldi, ao passar pelas “Quatro Estações”, “Concerto para Alaúde em Ré Maior” e “Cantata Cessate, omai cessate”.

O concerto do violinista Dmitry Sinkovsky faz a abertura do 44.ª edição do FIME

O concerto do violinista Dmitry Sinkovsky faz a abertura do 44.ª edição do FIME

Marco Borggreve

O espetáculo “Para o Fim do Tempo” junta, no dia 29 de junho, na Igreja Matriz, o pianista Pedro Burmester a um grupo de três irmãos, José (violino), Marco (violoncelo) e Márcio Pereira (clarinete). Trata-se de um concerto, assegura Alexandre Santos, com uma “atmosfera muito especial, porque combina duas obras de uma grande profundidade que criarão uma sequência musical muito interessante. Começa com ‘Benção de Deus na Solidão’, um solo de Franz Lizt, e depois passa para ‘Quarteto do Fim do Tempo’, de Olivier Messiaen, estreada [em 1941] no campo de concentração” Stalag VIII A, em Görlitz (Polónia), para o qual o compositor francês havia sido deportado. Este trabalho de Messiaen é inspirado no capítulo décimo do livro do Apocalipse, quando um anjo anuncia o fim dos dias.No fim de semana seguinte (30 de junho, sábado) cai em palco a “Noite Transfigurada” de Schoenberg, interpretada pelo Ensemble de Cordas da Orquestra Sinfónica de Castilla e León, dirigida pelo oboísta Lucas Macía Navarro. A pensar no público mais novo, Pedro Neves comanda a Orquestra Clássica de Espinho para efabular musicalmente “Pedro e o Lobo”, uma peça de Sergei Prokofiev, com narração de Mário Alves.

O objetivo passa por fomentar o "cruzamento de públicos, quer seja em termos de gostos musicais mais específicos ou mesmo em termos de faixas etárias”, frisa Alexandre Santos. “Existe a ambição de convidar os melómanos e mesmo as pessoas que não têm tanto contacto regular com a música para virem conhecer e perceber um pouco mais", acrescenta o responsável e membro da equipa programática.

“Violoncelo Virtuoso” do jovem talento Edgar Moreau acompanhado pelo conjunto Il Pomo d’Oro (6 jul), “Pianíssimo Beethoven” com Lars Vogt e a Real Filharmonía de Galicia (7 jul), e “Portal Parisien” de Michel Portal e do quinteto de Émile Parisien (13 jul) são outros dos destaques.

Ao sol com “O Bruxo” do jazz brasileiro

Nos dias 14 e 15 de julho, o FIME dá as boas-vindas ao saxofonista Hermeto Pascoal, conhecido como “O Bruxo”, mestre compositor brasileiro do jazz e da improvisação. “Som do Sol” é um dos dois concertos que o artista brasileiro apresenta no festival, em frente à Piscina Solário Atlântico, pelas 19h, acompanhado pela Orquestra de Jazz De Espinho e com direção musical de Daniel Dias e Paulo Perfeito.

Kevin Yatarola

Quase a fechar o festival, a 20 de julho (sexta), o alaudista bósnio Edin Karamazov interpreta na Capela de Nossa Senhora da Ajuda, às 22h, um repertório composto por três obras de Johann Sebastian Bach, “Suite para violoncelo solo BMV 1010”, “Ciaccona da Partita para violino solo BMV 1004” e “Suite para violoncelo solo BMV 1007”. O encerramento do certame acontece no dia seguinte, pelas 22h, na Praça Dr. José Salvador, com o pianista Mário Laginha a subir ao palco juntamente com com a Orquestra Clássica de Espinho, num concerto dirigido pelo polaco Jan Wierzba, no qual o jazz se cruza com o repertório sinfónico.

Além da oferta musical, o festival conta com uma nova iniciativa intitulada “Palestrinas”, uma série de conversas com os artistas que antecedem os espetáculos, coordenadas pelo musicólogo João Silva. Também uma exposição com desenhos a grafite e objetos escultóricos do artista Meireles de Pinho, patente no foyer do Auditório de Espinho, pode ser visto no âmbito do FIME.

A programação integral e informações complementares sobre os espetáculos podem ser consultadas AQUI.