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Bienal da Maia convida pintor de músicas e até Godot aparece

D. R.

Bienal de Arte Contemporânea da Maia leva até à cidade os trabalhos de mais de 50 artistas nacionais e internacionais, com destaque para “Godot”, interpretado por Rui Paixão, e para a exposição “Songs for Portugal”, do holandês Hennie Lenders

Ao atingir a maioridade, a Bienal da Maia regressa emancipada para questionar e propor novos horizontes criativos entre esta quinta-feira e 30 de setembro. O certame conta com a participação de mais de 50 artistas nacionais e internacionais, entre alguns autores consagrados e nomes emergentes.

Ligar a arte contemporânea a um território é um dos objetivos do evento, no qual as múltiplas formas de expressão artística se espalham por locais como o Fórum Maia, a Venepor, o Parque Central, os silos do centro empresarial “3Ás”, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro e vários espaços públicos do município.

Não é preciso esperar mais porque Godot – projeto artístico do “clown” Rui Paixão – tem chegada anunciada, pelas 21h30, ao Parque Central na noite inaugural do evento, para apresentar o espetáculo “Samsara”. Também a partir desta quinta-feira, com inauguração às 22h30, estará patente no Fórum da Maia a exposição “Songs for Portugal”, do artista holandês Hennie Lenders, descrito como um “pintor de músicas”, alguém que cria no meio da natureza, em folhas de papel pousadas sobre a erva ou as pedras, enquanto os murmúrios da água e do vento embalam as pinceladas.

A estas duas propostas junta-se, no arranque da programação, a instalação “Every Drop of Rain”, da artista Qimmy Shimmy, natural de Singapura e a viver na Holanda. Este trabalho artístico, dividido em duas partes, poderá ser visto nas galerias da Venepor e leva-nos a refletir sobre os ciclos da vida.

Este é apenas o início de uma programação muito mais vasta e ramificada em cinco vertentes essenciais, com curadorias específicas: arquitetura, artes plásticas/design, ligação com a comunidade, exploração do património e ainda a performance. Visitas guiadas a vários espaços históricos e emblemáticos do concelho estarão também contempladas através das “talkie walkies” coordenadas por Ana Vieira e Matilde Seabra.

No dia 15 de julho será inaugurado, na fábrica “3Ás”, o painel de azulejos intitulado “After work play”, da autoria da italiana Giada Ganassin. A obra ilustrará a vida de um trabalhador desde o nascer até ao pôr-do-sol. No dia 21 de julho, o Fórum da Maia abre-se para a exposição coletiva “Corpo e Arquitetura”, com curadoria de Constança Araújo Amador e que reúne trabalhos de dez artistas da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

“Cut and paste” é o título de outra mostra coletiva. Inaugura a 9 de setembro, também no Fórum da Maia. Ali se exploram os conceitos de repetição, omissão, distorção e colagem. A exposição multidisciplinar, desde o real ao digital, apresenta um leque de artistas ligados ao movimento “collage”, interligado ao imaginário do construtivismo, dadaísmo e da pop-art. Também nesse mesmo dia, destaque para a instalação de Henrique Nascimento, denominada “The explorative job interview”, onde os algoritmos e a inteligência artificial servem para criar um videojogo com o objetivo de redefinir e questionar o conceito de uma entrevista de emprego. A simulação espelha a forma como nos damos a conhecer através de ações, decisões e reações.

A Bienal da Maia é uma iniciativa conjunta da Câmara da Maia e do Centro Empresarial da Lionesa. O orçamento para a edição de 2017 foi de 100 mil euros.