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Expresso

Antes pelo contrário

The big chip

Vêm aí os chips nos carros. Não sei porque se espantam. Quem aceitou a videovigilância nas ruas a bem da segurança aceitou que a privacidade e a liberdade não são valores primeiros. Agora é sempre a piorar.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Se a lei não for revogada falta pouco para a introdução (obrigatória em novos carros) dos chips de matrícula. A medida é apresentada como uma mera questão técnica para garantir o pagamento das portagens das SCUT. Mas não é. Com estes chips o Estado ou empresas privadas poderão vir a ter acesso a informações valiosas sobre os movimentos dos cidadãos. Isso já acontece com a Via Verde. Com uma grande diferença: a Via Verde não é obrigatória, nem sequer para quem circule nas auto-estradas.

Esta tecnologia, que muito facilmente virá a permitir conhecer todos os movimentos dos indivíduos, abre um leque sinistro de possibilidades de intromissão na vida dos cidadãos. Mas não tanto como a videovigilância nas ruas, aceite pela generalidade dos portugueses.

Não se devem espantar com a ligeireza com que o governo pretende colocar um pequeno radar no carro de cada um. Aceitámos com bonomia, a bem da segurança, todos os argumentos para um Big Brother. Vingou a estúpida ideia de que quem não deve não teme. Apenas continuamos o caminho que começámos.

Depois de termos cedido perante a paranóia securitária, não há razão nenhuma para não se aceitar perder a liberdade e privacidade para pagar a construção de estadas. Quem desiste de forma absoluta de um valor primeiro para viver absolutamente seguro tem de estar preparado para que esse valor deixe de ser tratado como fundamental. Talvez seja preciso chegarmos ainda mais longe para percebermos que temos de pôr um travão a isto.