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A vitória morna dos democratas

A vitória dos democratas foi morna. Os sinais de viragem à esquerda, que apareceram mas ficaram aquém do anunciado, e a chegada de gente comum e de muitas mulheres ao congresso dão alguma esperança. Ficou o amargo de boca de ver Andrew Gillum, Stacey Abrams e Beto O’Rourke com o futuro adiado. E a certeza que Trump não foi um embraço para os republicanos. Foi um trunfo

Ontem, esperava-se pela confirmação de que os democratas conseguiam conquistar a maioria do congresso, já que o Senado era praticamente impossível. Conseguiram. Isto onde permitir garantir que o debate sobre os cuidados de saúde fica onde está, impedir cortes nos apoios sociais, bloquear mais benefícios fiscais para as grandes empresas e impedir muitas das medidas que o presidente tem planeado para a imigração. No limite, até permite um processo de impeachment, que seria um erro sem que os democratas estivessem em condições de se apresentar como alternativa. E não faria descansar ninguém quando o ultra conservador Mike Pence é o homem que se segue. Os democratas podem, de certeza, fazer a vida dos republicanos num inferno. E terão a oportunidade de o investigar, que é sempre o seu maior problema. O anúncio de “sucesso tremendo”, no twitter do presidente, foi por isso francamente exagerado. Os próximos dois anos serão bem mais difíceis para ele do que os anteriores.

Mas os democratas ficaram bem longe da onda azul com que sonhavam. Apesar de terem crescido e vencido no voto popular, acabaram por perder senadores e as grandes esperanças em eleições de governadores não se realizaram. A maior aposta de Donald Trump estava no Senado e correu bem. Quem julgue que a perda de congresso é um cartão vermelho a Trump não olhou para os resultados com atenção. A oposição costuma vencer as intercalares. E a onda azul não aconteceu porque Trump se envolveu na campanha e tentou fazer dela um referendo a si mesmo.

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