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O Brasil já pegou fogo, quer que faça o quê?

Perante o incêndio do Museu, Jair Bolsonaro perguntou: “Já ta feito, já pegou fogo, quer que eu faça o quê?" Quem festeja a “limpeza purificadora” que o fogo garante pode sempre repetir com as bestas que se alimentam das cinzas da democracia: o Brasil já pegou fogo, quer que faça o quê?

Primeira cena: o Museu Nacional do Rio de Janeiro em chamas. Ardeu toda a coleção de etnologia indígena, toda a biblioteca de antropologia, o fóssil humano mais antigo das Américas, a coleção egípcia que começou por ser adquirida por D. Pedro I e era a mais antiga das Américas e a maior da América Latina. O que ardeu não é apenas uma perda para o Brasil, é uma perda para a humanidade num país que, como os Estados falhados, já não consegue garantir as suas funções mais básicas.

Evito fazer relações diretas entre a ação política e grandes tragédias. Porque quase sempre as coisas são mais complicadas do que isso. Muito menos se pode atribuir a um Governo específico uma degradação que não é recente. Sabe-se, no entanto, que o Museu Nacional do Rio de Janeiro tinha um apoio irrelevante do Governo e sucessivas reduções de verbas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que o geria. Tinha conseguido financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social que serviria para restauro e instalação de equipamento para prevenção de fogos. Não veio a tempo. Em apenas quatro anos o orçamento do museu caiu 50%, os recursos para o seu funcionamento 77%, as visitas caíram para menos de um quinto.

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