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Não chega aproximar o poder dos cidadãos, é preciso aproximar os cidadãos do poder

As freguesias de Lisboa de mais populosas que a esmagadora maioria dos concelhos do País e as suas juntas mexem com mais dinheiro do que a maior parte da câmaras municipais. A conjugação de poder, dinheiro e menor escrutínio público e mediático é a ideal para os fura-vidas. É a ali que se podem fazer negócios interessantes sem olhares indiscretos. Também é ali que os caciques partidários arregimentam militantes e apoiantes em troca de favores e lugares. O poder local é o mais democrático e eficaz e, ao mesmo tempo, o mais corrupto e clientelar. E quanto mais próximo for das pessoas mais será todas estas coisas. Porque a democracia e a proximidade não trazem só vantagens. Quando aproximamos o poder dos cidadãos é preciso que os cidadãos façam a sua parte e se aproximem, também eles, do poder. Que vão a assembleias de freguesia, que participem na vida comunitária, que controlem os seus eleitos. O discurso justicialista acredita que a corrupção resulta de um desvio moral dos eleitos. Eu acredito que ela resulta, entre outras coisas, de uma anemia cívica dos cidadãos. Claro que são precisas leis e polícias, juízes e procuradores. Mas nada disso conseguirá grande coisa se não houver cidadãos atentos que participam na vida das suas comunidades. São sempre eles o maior antídoto contra os oportunistas

A operação tutti frutti (invejo a função dos homens que, na Polícia Judiciária, inventam os nomes das operações) levou a buscas em sedes do PSD e do PS, escritórios de advogados e juntas de freguesia em vários locais no país. Mas parece que a investigação se concentra sobretudo em negócios de alguns elementos do PSD em juntas de Lisboa: Estrela, Areeiro e Santo António. Em causa estão suspeitas de tráfico de influências, corrupção e financiamento ilegal através de ajustes diretos e contratação de pessoal.

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