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Os 600 milhões poupados

Não teríamos mais 600 milhões de despesa para descongelar as carreiras, temos menos 600 milhões de despesa por se terem congelado as carreiras. Quando António Costa diz que não tem dinheiro para esta despesa está a dizer que a evolução da carreira dos professores seria, se tivesse seguido o seu caminho normal, orçamentalmente insustentável. O que quer dizer que também o será no futuro

Em novembro escrevi AQUI sobre o imbróglio do descongelamento das carreiras dos professores. Para os funcionários públicos ficarem onde estariam se não tivesse havido congelamento de carreiras (sem no entanto receberem o que perderam entretanto) foram contabilizados os pontos acumulados nas avaliações que se foram fazendo, dando “bom” aos que não foram avaliados. Apesar de haver avaliação com quotas na mudança de dois escalões, a carreira dos professores não depende sobretudo dela, tornando possível que quase todos os professores cheguem ao topo, o que não acontece nos restantes funcionários públicos. Os professores exigem igual tratamento formal ao que foi dado aos restantes funcionários do Estado, o que implica, na prática, um melhor tratamento.

O governo tentou igualizar o resultado prático, o que implicava contar apenas dois anos e nove meses, em vez dos nove em que as carreiras estiveram congeladas. Uma coisa é indiscutível: as diferenças que existem entre as carreiras foram decididas pelo Estado e o que os professores estão a pedir é igualdade formal. Se isso resulta, como resulta, numa desigualdade prática é porque, seja lá por o que for, ela sempre lá esteve. Não é torcendo as regras que se garante a igualdade, é, se se achar necessário, mudando as regras para o futuro. Mas terá sempre de ser para o futuro. Sabendo-se que, sendo os professores licenciados, não há muitas formas disto ficar mais barato. A tentativa, já experimentada, de impedir a chegada da maioria dos professores ao topo da carreira não se afigura de aplicação fácil.

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