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Antes pelo contrário

Balanço dos líderes (4): Passos, à espera da gratidão e do fim

Passos está encalhado no seu próprio ressentimento. Julgando-se credor da gratidão do povo, não consegue sair de cena sem a ter recebido. E tem uma razão formal para não sair: Não perdeu as eleições. Passos foi apanhado por acontecimentos extraordinários e não sabe como sair deste impasse. Com a sua governação interrompida de forma pouco habitual, precisa de um desfecho

De poucas pessoas se pode dizer com tanta propriedade que são vítimas das suas circunstâncias. Não me refiro obviamente às responsabilidades que Passos teve enquanto primeiro-ministro. Foi dele a escolha de chumbar o PEC IV, acelerando uma crise política que obviamente foi determinante para o resgate. Foi dele a escolha de aproveitar a intervenção externa para impor um programa liberalizador que o país não aceitaria em circunstâncias normais, indo mesmo além da troika. Foi dele a escolha de não negociar com Bruxelas e usar Bruxelas como álibi para um processo de contrarreforma. Foi dele a escolha de fazer dos mais pobres as principais vítimas da austeridade e de juntar à austeridade insuportáveis sermões sobre a vida dos portugueses. É dele o liberalismo de lombada colado com cuspo e o voluntarismo revolucionário que não se importa de usar instituições internacionais e mercados como arma de chantagem sobre o país para impor as suas próprias convicções. Não lerão de mim uma palavra que menorize as suas responsabilidades. Nem de mim nem da maioria dos portugueses, que não só votaram noutros contra ele, tirando-lhe a maioria para governar, como têm no risco do seu regresso uma forte motivação para apoiar este governo. As circunstâncias de que falo são as atuais.

Aconteceu a Passos Coelho o que nunca acontecera a ninguém: liderar uma coligação que ficou em primeiro quando a maioria do Parlamento ficou no lado político oposto. Juntou-se a esta situação um líder do PS disponível para conversar com a esquerda – nesta parte, Passos tem a responsabilidade do seu radicalismo político ter unido a esquerda contra ele. O resultado é conhecido: pela primeira vez temos um líder da oposição que acabou de ser primeiro-ministro. E isto limita de forma determinante todo o comportamento de Passos Coelho.

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