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Da surpresa do dr. Abebe à "fera" (apesar de tudo) contida

António Tavares-Teles

Um tribunal decidiu baixar o montante da multa aplicada ao Pingo Doce pela Autoridade para a Concorrência (por causa da campanha "desleal" de 50% de desconto levada a efeito no último 1º de Maio, e que deve ter gerado um encaixe enorme para essa cadeia de supermercados) de 30 mil euros (montante desde logo ridículo) para um outro ainda mais ridículo: 12 mil euros! Isto, ao mesmo tempo que uma senhora que furtou uma saia no valor de 17,95 euros foi condenada a pagar 540! Já estou como o Francisco José Viegas: e se fossem tomar no ...?

 

 

1. Conheci Óscar Lopes, tinha eu 10 ou 11 anos, no liceu então D.Manuel II, hoje Rodrigues de Freitas (aliás a sua designação original), onde ele era o mentor de um jornal - "O Mensageiro" - no qual, por muita simpatia e muito estímulo da sua parte, colaborei. E, se raramente o encontrei depois, nunca mais esqueci nem o homem, nem o professor nem - repito - o mentor de muita gente, para além é claro, do estudioso profundo que foi da história da nossa literatura e do fenómeno da escrita, e crítico literário rigoroso, mas sempre voltado para o leitor, para a leitura. Tímido, tanto quanto seu pai - o musicólogo Armando Lopes Leça, meu professor de Canto Coral - era extrovertido, quase se diria que estava mais perto dos livros do que da vida, ele que contudo que era completamente dedicado às causas humanas, do social ao político, do económico ao cultural, e carinhoso e afável. De tal forma que considero uma dádiva dos deuses tê-lo conhecido. Morreu agora, aos 95 anos. "Um cientista da língua e um humanista como já não temos", titulou o "Público". E é verdade.

 

 

2. Tanto quanto se sabe, o CDS quer uma "remodelação" e "mais economia e metas realistas". Havendo porém muita gente que se queixa do silêncio de Portas, uma vez que quem publicitou a posição do partido dito centrista (e hoje, face ao PSD que temos, mais centrista do que nunca ... ) foram Pires de Lima e Diogo Feio, muito melhores políticos do que Nuno Melo, diga-se aliás de passagem - como se fosse plausível que ele - Portas - pudesse dizer o que disseram os seus lugares-tenente. Porque, nesse caso, uma de duas: ou saía do Governo ou caía o Governo.

 

 

3. Há frases que, para além de serem as chamadas "frases feitas" são completamente idiotas. Esta (de Passos Coelho) por exemplo: "Não remodelo a pedido". Outra ( e esta tem que ver com o futebol): "Tínhamos o jogo controlado" ... E ainda esta, do seleccionador alemão do Azerbaijão, Berti Vogts: "Portugal é mais perigoso sem Ronaldo e Nani". Todas inteligentíssimas ... E, fora estas, há por aí mais umas mil.

 

 

4. Para Abebe Selassie, o homem do FMI na troika, o aumento do desemprego foi "uma surpresa"! Se o dito FMI só lá tem economistas (ou então humoristas) deste jaez, estamos conversados. Deve ser o tutor do Gaspar.

 

 

5. Outro artista: o sr. Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, que acha que devem ser os accionistas e os obrigacionistas a assumirem a recapitalização dos bancos em risco. Como porém, com essa brilhante asserção, atirou com a banca europeia para a zona vermelha, lá teve de voltar atrás. Mas lá que ele fica nos anais, ai isso fica. De resto, aquela sua cabecinha (de yupie totó) não deixava augurar nada de bom.

 

 

6. Cristas adiou o concurso para altos cargos do seu ministério, depois decidiu não fazer concurso de todo, para por fim nomear para esses cargos ex-colegas seus da Faculdade! Mas tudo continua como se fosse normal. Até ela. E isso é que importa...

 

 

7. Título do "Correio da Manhã": "Ricciardi arguido nas privatizações / Banqueiro é suspeito de tráfico de influência e fraude fiscal no processo da venda da EDP e REN". Ficando nós sem saber se ele é mesmo "arguido" ou apenas "suspeito". Ao que o "CM" acrescenta de resto, embora alargando a confusão: "Fonte oficial do BESI negou que Ricciardi seja arguido no caso, apesar do'CM' ter indicado o dia em que o banqueiro foi inquirido". Portanto: arguido, suspeito, inquirido? Pelo que, quem leu o "CM" não ficou a perceber coisa nenhuma, se é que quem escreveu a notícia teve a intenção de perceber alguma coisa, a não ser denegrir alguém de quem pelo visto não gosta. Mas já escrevia o "DN" há dias: "É assim o mundo de um certo 'jornalismo' fora da lei". PS. Ricciardi vai fazer um processo ao "CM". Exactamente.

 

 

8. Paulo Bento não gostou de ouvir Pinto da Costa dissertar sobre a má condição de João Moutinho no jogo contra Israel - que se traduziu de facto numa exibição menos ao seu nível - e respondeu grosso: "Podem continuar a debitar postas de pescada, etc. etc. , mas Moutinho jogou porque quem faz o onze sou eu". O que - infelizmente para o seleccionador nacional - contradiz o que ele disse antes do jogo: "O Moutinho joga se quiser". Quem fez aquele onze, pois? PS. Portugal lá ganhou ao Azerbaijão. Também era o que faltava ...

 

 

9. A terminar, este politiquês do melhor, retirado de uma citação do "Le Canard Enchaîné" de um deputado francês do PS - Pascal Terrasse: "As pensões de reforma não vão baixar, vão aumentar a um ritmo menos elevado do que a inflação". Il fallait le faire ...

 

 

PS. Vi, é claro, a entrevista de José Sócrates à RTP. Se bem que chamar àquilo entrevista seja uma forma (muito pouco aproximativa) de falar: uma entrevista são perguntas e respostas (a "virilidade" do entrevistador tem de estar nas perguntas que faz e não em tentativas canhestras de debater com o entrevistado, a fim de entalá-lo por todos os meios, assim como em respeitá-lo, até a bem, ou sobretudo a bem do dever de informar. Ora, não foi nada disso o que aconteceu, quer da parte de Paulo Ferreira (um triste sire) quer de Vítor Gonçalves, sempre de cabeça baixa, a esconder os olhos por detrás do seu ar de seminarista serôdio para (julgou ele) melhor atacar o "adversário". A soldo de quem? De ninguém, é claro. Mas Passos Coelho e Cavaco não fariam melhor. Nem pior, aliás... Com uma desculpa, no entanto: não são do métier. No mais (embora isso o fosse prejudicar) só tive pena, pelo espectáculo, de não ter visto a "fera" de Sócrates soltar-se: tinha-os comido vivos. E eles mereciam. Porque prestaram um péssimo serviço ao público, e até à RTP, que devia ter gente competente e isenta para "operações" deste tipo. E, de todo, não teve.

 

 

Bicuaites

 

1. "Expresso": "Governo muda discurso para travar crise política".

Muda o disco ...

 

 

2. Miguel Sousa Tavares: "Eis o país, os seus governantes, a sua oposição, o povo. E as suas propostas de solução: morte lenta ou morte súbita. Às mãos da sra Merkel e das suas marionetas nacionais; por suicídio colectivo e patriótico; afogado na barba de um Beppe Grillo ou debaixo da bota de um Salazar. E todavia tem de haver esperança. Tem de haver alternativa".

Tem fé, o Miguel! E questões de fé não se discutem.

 

 

3. "Correio da Manhã": "Rescisões amigáveis pagam imposto".

As amigáveis, as não-amigáveis, as rescisões, as não-rescisões ...

 

 

4. Graça Fonseca: "Por pior que os partidos estejam, ainda não se encontrou nada melhor para a representação democrática".

É certo que o Churchill dizia que: a democracia é o pior dos regimes, à excepção de todos os outros. Mas a Graça Fonseca procurou bem?

 

 

5."Público": "Tribunal ordena peritagem para apurar se a Maternidade Alfredo da Costa cabe no D. Estefânia".

Bom, ou a MAC encolheu muito ou o D. Estefânia tinha muita área desocupada.

 

 

6. Voz-off: "Erram duas vezes os que vão querer dizer que o antigo primeiro-ministro é a fonte de todos os problemas" (Paulo Rangel)

 

 

7. "Diário de Notícias": "Igreja: esmolas da Quaresma vão servir para reforçar apoio a situações de emergência".

Esmolas dos pobres para devolver aos pobres?!!! Para quê o circuito?

 

 

8. Gonçalo Portocarrero de Almada: "Qualquer que seja a sandália do pescador, são sempre 'formosos os pés dos que anunciam o Evangelho!'"

Pedo (pé), amor (filia): cuidado!

 

 

9. "Correio da Manhã": "Vendia droga falsa a turistas".

Trapaceiro mas benfeitor ...

 

 

10. "Público": "Dez anos depois, o Iraque tem metade do património cultural que tinha".

Património cultural! Como se Bush soubesse ...

 

 

11. "Público": "Sarkozy vai contestar imparcialidade do juíz que o fez erguido".

Se não podes atacar a bola, ataca o homem ...

 

 

12. "Correio da Manhã": "(Boris Berezovsky) foi morto pelo M16".

Mentira: o M16, o M15, a CIA, os Renseignements franceses, o ex-KGB, a Mossad, etc. etc., jamais seriam capazes de uma coisa dessas ...

 

 

13. Paulo Bento, explicando os maus resultados da selecção portuguesa: "Problema de mentalidade para lidar com o sucesso".

Com o sucesso, com o insucesso ...

 

 

14. Iturbe: "Vítor Pereira foi muito sincero comigo: disse-me que eu era a sua última opção e aconselhou-me a ir para o clube (no caso, o River Plate) onde pudesse crescer como jogador".

Bom, a sinceridade é apenas uma meia-virtude. Mas descansa, Iturbe, vais voltar em breve, espero eu.

 

 

15. Carlos Severino: Apresentei projecto credível".

Se fosse bi-credível, teria tido 2%.

 

 

16. "O Jogo": "Balotelli passeia-se semi-nu em Genebra".

Semi-vestido. (Ah, "O Jogo tem estado ultimamente muito mais legível: alguém deve estar de férias).

 

 

17. "Correio da Manhã": "Cavala é 'rainha' em Lisboa".

Embora haja por aí (como diria o Ari) muito cavalo à solta ...

(Coitados porém dos cavalos, que não têm culpa das cavalices dos homens, nem os camelos das camelices, nem os burros das burrices, nem os cães dessa muito infeliz expressão "abaixo de cão", eles que são nossos afectuosos e prestáveis (muitas vezes à força, é certo) "compagnons de route".

 

 

"Canção grata", de Carlos Queiroz, cantada por Carlos do Carmo com música de Teresa Silva Carvalho:

 

Por tudo o que me deste

inquietação, cuidado

um pouco de ternura, é certo, mas tão pouco

noites de insónia, pelas ruas, como um louco

obrigado, obrigado.

 

Por aquela tão doce e tão breve ilusão

embora nunca mais, depois que a vi desfeita

eu volte a ser quem fui, sem ironia aceita

a minha gratidão.

 

Que bem me faz agora o mal que me fizeste,

mais forte, mais sereno e livre e descuidado

sem ironia, amor

obrigado, obrigado

por tudo o que me deste.