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Póvoa Semanário

Novo Estádio do Varzim poderá não existir

José Maria Reina presidente da Assembleia-geral do Varzim, lança um repto à Câmara no sentido do clube, poder utilizar o Estádio Municipal para jogos. Segundo aquele dirigente, a crise tem feito mudar de ideias, porque a realidade é bem diferente, embora tenha que haver bom senso e coragem para tomar essa medida. 

Póvoa Semanário

Como analisa o actual momento do Clube?

Para já não é mau, até porque a equipa está inscrita para a próxima época e os ordenados estão pagos, até ao mês de Abril. Mas a situação económica, foi sempre o problema do Varzim. A Comissão Administrativa está a ser feita, e apenas falta saber como formar a equipa de futebol, dentro das limitações fundamentais que temos que impor, e que passam pela redução de ordenados. Essa é que é a grande dificuldade, para vermos como é que vamos superar tudo isso.

Será que não haverá dificuldade em encontrar nomes para a formação da dita Comissão Administrativa?

Julgo que não, até porque o número é reduzido. Não é o mesmo que uma direcção e a situação em que o clube se encontra, tendo em atenção a construção do novo estádio, impõe gente que tenha estado no contrato e no processo.

Portanto não há que passar o testemunho?

Seria interessante que a comissão fosse refrescada com gente nova, mas é preciso que ela apareça, e se disponibilize a fazer parte.

O Varzim vai fazer parte da Direcção da Liga de Clubes. O que pensa disso?

É verdade, mas aqui, queria introduzir dois elementos que acho extremamente importantes. Vai ser eleita a direcção da Liga de Clubes (aconteceu na passada segunda feira), no qual o Varzim faz parte, através de Lopes de Castro. Ora a partir daqui, o que é necessário ou desejável é que essa direcção faça pelo menos mais pela Liga de Honra. Um aumento de receitas e uma diminuição de encargos, para que nós e os outros clubes possamos vencer as dificuldades económicas / financeiras e a aplicação uniforme desse princípio a todos os concorrentes da Liga de Honra. Há ainda uma outra circunstância, que o futebol nacional devia interiorizar. Devia haver um limite mínimo de jogadores não portugueses. Digo isto, não por xenofobia, mas por uma questão, relacionada com a selecção nacional, de modo a dar oportunidade aos jogadores portugueses de se mostrarem.

Mas isso seria para valorizar os jogadores?

Penso que essa seria uma medida salutar, embora não queira dizer que não veja com bons olhos, os casos de Deco, Pepe e Liedson na selecção nacional, mas a necessidade que tivemos de recorrer a esses excelentes jogadores. Por ventura não aconteceria, se estivéssemos numa Liga de Honra, que impusesse que no onze de cada equipa, que entra em campo, 90% de jogadores nacionais. Portanto, tínhamos que dar por um lado, um incentivo à formação a sério, e nós no Varzim com muitas dificuldades, penso que temos qualidade, nessa formação. Depois há a prática do futebol nacional com jogadores formados, que depois iriam para outras Ligas. Esse ponto, penso que era importante, em diminuir encargos e aumentar receitas, mas mais a redução de encargos, porque isso não está muito bem distribuído entre a I e a II Liga. Há muita discrepância.

 

Por acaso não está a pensar noutros custos, por exemplo de manutenção, caso o Varzim construa o estádio novo?

Fui uma das pessoas que pensou nisso, mas não fui só eu. Nesta fase em que nos encontramos de inicio da construção do estádio, seria de pensar a sério, em não o fazermos e de obtermos da Câmara, a possibilidade em utilizar o Estádio Municipal, colocando umas bancadas que teriam que ser feitas, por ventura a cargo do Varzim. No fundo, evitar-se-ia os disparates que se cometeram aquando do Campeonato Europeu de 2004, com a construção dos estádios de Aveiro, Leiria, Coimbra, Faro, com uma despesa desnecessária, agravada nesta altura, por uma crise profunda em que o País e o Mundo se encontram. Penso que seria um acto de bom senso e de coragem por parte da Câmara em encarar essa possibilidade. Agora isto teria que ser sufragado em assembleia-geral pelos associados. E depois vão-me perguntar como é o Varzim vai receber dinheiro. Nada, mas tem que ser em algo imóvel e produtor de rendimento.

Para já tem alguma ideia em mente?

Por exemplo, seria interessante que a Câmara encarasse juntamente com direcção do Varzim esta situação e dizer, que neste terreno, autorizo que vocês implantem uma bomba de gasolina, que seria uma receita que o clube. Gastaria na compra do terreno, mas o rendimento estava assegurado. Há parques de estacionamento que seriam comprados pelo clube e proporcionaria uma verba mensal de certo vulto, portanto receitas que nada tem haver com futebol. O restante seria em imóveis. Outro exemplo, a antiga sede na Rua Santos Minho, está degradada. Precisa de ser demolida e reconstruída. Seria feita uma aplicação. Claro que tudo isto, passaria também pela constituição de uma SAD, para que o património ficasse livre de "toledos" de orientações directivas no futuro, e de gastos desmesurados. Mas isso é o que gostaria que todo o mundo pensasse, porque acho que teria interesse para o clube.

Então ficaria o Varzim sem estádio novo?

Sem duvida. Venderíamos o terreno à Câmara e ela acabaria com o parque da cidade. Com o dinheiro faríamos as aplicações e um Centro de Formação, ou então num outro local, nas cercanias das freguesias, se calhar a preços muito mais baixos.

Mas aquando da aprovação da construção, não tinha esta ideia?

É claro que não, porque os tempos também mudaram. A crise é de tal maneira aguda e séria, o que as pessoas ainda não pensaram nela. Veja como estão as economias da Alemanha, Itália, França, Bélgica, Irlanda, Espanha, Inglaterra e agora a Grécia. Portanto, para podermos levantar a cabeça estamos englobados dentro de um conjunto muito complicado.

Voltando à vida do Varzim não considera que esta seja o pior momento do clube em 94 anos?

Não porque o clube tem património, está a preparar a próxima época. Está a resolver um problema directivo e seguramente terá vida risonha. A direcção tem-me informado apesar de ainda me manter em funções e mantenho a confiança nos actuais órgãos.

Leu a entrevista de Virgilio Constantino dada a esta Jornal na semana passada?

Não li, mas disseram-me. No essencial mantém a mesma posição que já explanou em Assembleia-geral. Acho que é pena um órgão, não conhecer a situação económica / financeira do Varzim. No mínimo já teria pedido a demissão. Ele não anda de facto com a lucidez necessária. Ainda no outro dia, me disse que não lhe queria dar a palavra em assembleia-geral, quando até falou. A lucidez não o tem acompanhado nestes últimos tempos, e é pena. Mas não lhe atribuo importância nenhuma. Acho lamentável que persista nesta situação, em dizer que o modelo está gasto. O modelo é aquilo que a Liga nos impõe. Os modelos são os do futebol Nacional. O Varzim está metido num comboio e não pode sair dele. São imposições legais. Quando diz que nada sabe, é porque está perturbado.