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BE e PSD pedem esclarecimentos ao Governo sobre a interrupção do Parque das Ondas de Aguçadoura

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Os deputados do Bloco de Esquerda (BE) na Assembleia da República, Pedro Filipe Soares e José Soeiro, acompanhados por Miguel Rocha Pereira, deputado do BE na Assembleia Municipal local, estiveram ontem em Aguçadoura, na Póvoa de Varzim, para se inteirarem do estado do projecto do Parque de Ondas, instalado naquela freguesia, que depois de ter sido inaugurado acabou por se interrompido.

Os bloquistas quiseram saber as razões do abandono da empreitada, que pretendia gerar energia eléctrica a partir da força das ondas do mar, apontada, na ocasião da sua inauguração, por Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, como um "projecto de exemplo mundial".

Os deputados do Bloco adiantaram que as três máquinas colocadas então ao largo de Aguçadoura fora retiradas do local e transferidas para um armazém, no Porto de Leixões, em Matosinhos, com a justificação de que teriam de ser reparadas, mas que não mais voltaram a entrar em funcionamento.Os deputados do BE afirmaram que "a Babcock & Brown, detentora do projecto, tem hoje em mãos uma situação financeira muito difícil, fruto do jogo bolsista que desencadeou - e mais tarde consequenciou - a crise financeira, pelo que teve que teve que vender activos (entre os quais o projecto Pelamis). O Estado português, que se associou a este projecto, tendo inclusivamente investido dinheiro no mesmo, mostra que afinal não considerou este projecto tão pioneiro e tão importante, tendo-o deixado refém de uma empresa que fazia depender a sua sobrevivência da volatilidade do mercado especulativo e bolsista".Por isto, o Bloco de Esquerda elaborou um documento que irá apresentar ao Governo, colocando três questões: "Como justifica o Ministério da Economia o facto das três máquinas para produção de energia das ondas estarem há mais de um ano armazenadas no porto de Leixões? ; O Governo abandonou o projecto do parque de energia das ondas ao largo da Aguçadoura, inaugurado oficialmente em Setembro de 2008? ; Que medidas vai o Ministério tomar para retomar o projecto?".PSD questiona investimento de 1,25 milhões de euroSobre o mesmo tema, Carla Barros, deputada poveira na Assembleia da Republica pelo PSD, também apresentou um requerimento, colocando ao Governo questões sobre interrupção do projecto e denunciando os números do investimento feito Parque das Ondas de Aguçadoura, que neste momento está parado.Segundo a deputada, o Governo investiu 1,25 milhões de euros, a fundo perdido, na empreitada e que três meses depois as máquinas instaladas deram problemas a acabaram por ser retiradas do local.Perante este cenário, Carla Barros já entregou algumas questões ao Ministério da Economia, entra as quais: "Continuando o Governo a aplicar o dinheiro dos contribuintes em projectos para o aproveitamento da energia das ondas, sem que, todavia, se deslumbre qualquer retorno positivo, como pensa o Governo vir a ressarcir os cofres públicos destes danos financeiros ? ; Quais as data precisas que o Governo aponta para o início da produção da energia das ondas ? ; Quais os factores que levaram ao impasse/insucesso destes projectos de aproveitamento da energia das ondas?".Carla Barros lembrou ainda que "Mais de um ano depois da apresentação do PELAMIS (Parque das Ondas) o Governo continua sem capacidade de resposta face à promessa inicial da produção de electricidade para 2500 lares", frisando que com a falência da empresa que geria o equipamento, acabou por ser a EDP a tornar-se no maior accionista do Parque das Ondas da Aguçadoura".