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Jornal do Algarve

Lotação esgotada na homenagem a Eugénia Lima

Evento foi promovido pela Escola de Acordeão de Castro Marim e pela autarquia local. Aos 85 anos, e com mais de 80 de palco, Eugénia Lima regressou ao Algarve para uma festa que reuniu fãs de vários pontos da região

Domingos Viegas

 

Os cerca de 200 lugares disponíveis no auditório da Biblioteca Municipal de Castro Marim foram poucos para todos os que quiseram assistir à homenagem que a Escola de Acordeão de Castro Marim e a autarquia local prestaram recentemente a Eugénia Lima.

O evento estava agendado para as 16h00, mas muito antes já havia quem fizesse fila de forma a conseguir o melhor lugar para voltar a ouvir Eugénia Lima, que já completou 85 anos de idade e 81 de palco. Houve quem se tivesse deslocado de outras zonas do Algarve e a organização teve mesmo que improvisar alguns lugares sentados no fundo da plateia, para que ninguém deixasse de assistir à atuação de uma das maiores acordeonistas de sempre.

"Nunca pensei que passados 65 anos desde a primeira vez que vim ao Algarve e mais de 30 desde a última que estive no sotavento, o público ainda se lembrasse de mim e ainda gostasse de me ouvir. Dizer que estou feliz por voltar ao Algarve é pouco. Estou honrada", referiu a acordeonista, visivelmente emocionada.

O espetáculo começou com a atuação de diversos acordeonistas, que interpretaram temas da autoria de Eugénia Lima. Entre atuação e atuação, a acordeonista foi contanto um pouco da sua vida, da sua carreira e contou histórias que a marcaram ao longo de cerca de oito décadas de palco.

"As músicas que fiz, foram feitas por amor à arte e refletem o meu estado de espírito naquela altura. Mais de oitenta por cento das minhas músicas nasceram no palco, de improviso", revelou.

 

"Tento viver cada dia o melhor que posso"

 

Antes da sua atuação, a mais aguardada da tarde, Eugénia Lima ainda referiu o facto de ser doente de Parkinson e deixou uma mensagem de ânimo a quem está na mesma situação: "Tenho uma doença que tem incapacitado muita gente, mas não me deixo vencer por ela facilmente. Já não tenho idade para fazer projetos a longo prazo, mas tento viver cada dia o melhor que posso".

Eugénia Lima nasceu em Castelo Branco, há 85 anos, e subiu pela primeira vez a um palco aos quatro anos. Quando completou 13 anos, o pai tentou inscreve-la no Conservatório de Lisboa, mas os responsáveis disseram-lhe que o acordeão não tinha entrada naquela instituição e a sua candidatura foi rejeitada.

Só conseguiria o diploma aos 55 anos, em França. Por isso, diz que, até àquela altura, teve "um diploma passado pelo público". Considera que, hoje em dia, "é muito fácil ser reconhecido e ser famoso", pois "basta cinco minutos de televisão", enquanto antes "era preciso percorrer as vilas e as aldeias do país durante muitos anos".

Atualmente, Eugénia Lima é diplomada com o Curso Superior de Acordeão, na Categoria de Professora, pelo Conservatório de Paris. O seu nome figura no Dicionário Mundial de Mulheres Notáveis.

(mais informação em www.jornaldoalgarve.pt)