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Expresso

Jornal do Algarve

Exploração do Estádio Algarve por privados pode acontecer até ao final do ano

O edil farense admite que não há um dia em que não se preocupe como vai conseguir disponibilizar mais  cinco mil euros para pagar a manutenção e despesas correntes do Estádio Algarve. Perante uma época onde os cifrões não abundam, até a Câmara de Loulé admite que é preciso encontrar soluções para o Estádio Algarve até que o Parque das Cidades ganhe a dinâmica que lhe está prometida. Para já, a concessão do Estádio para exploração privada é uma opção cada vez mais real

Sofia Cavaco Silva

O futuro do Estádio Algarve está a ser analisado pela Associação de Municípios Faro/Loulé e é provável que até ao final do ano existam novidades. Os autarcas dos concelho de Faro e de Loulé admitem estar a chegar ao limite para assumir as despesas de manutenção da estrutura e procuram novas alternativas.  Importa recordar que o Estádio tem um custo diário na ordem dos 10 mil euros que são divididos pelas referidas autarquias. Este é o custo que garante o pagamento de amortizações, juros, funcionamento e manutenção do Estádio Algarve que anualmente totaliza um investimento total na ordem dos três milhões de euros pagos unicamente pelas Câmaras de Loulé e Faro. A situação é de tal forma "pesada" e as receitas tão diminutas perante os custos que o futuro do Estádio é cada vez mais discutido."O Estádio não acaba. Quanto muito poderá ficar numa situação como outros que existem a nível nacional. Este é dos melhores, destaco que todos os que foram feitos para o Euro 2004 que não são utilizados periodicamente estão em piores condições de manutenção que o Estádio Algarve", explicou Seruca Emídio durante a conferência de apresentação do cartaz da Feira de Caça, Pesca e Mundo Rural do Algarve."Temos feito um grande esforço - particularmente a Câmara de Loulé. São muitos os milhões que já metemos aqui sem a contrapartida do nosso parceiro", acrescentou Seruca Emídio que diz que é tempo de dizer: "Chega". "Eu não consigo explicar aos habitantes do meu concelho porque é que há-de ser só Loulé a manter o Estádio", comenta garantindo que é preciso que a situação seja clarificada.Apesar de continuar convicto de que o Parque das Cidades e o próprio Estádio Algarve têm um futuro promissor, Seruca Emídio diz que é preciso encontrar formas de gerir as infraestruturas entretanto sem que se tornem tão consumidores dos orçamentos municipais."Entre outras coisas, não percebo porque os clubes que estão na primeira divisão não utilizam este estádio durante pelo menos dois jogos com o Benfica e com o Porto, quando não têm capacidade nos seus estádios e podiam aqui ganhar muito dinheiro como já foi demonstrado", exemplifica. "Tudo isto faz com que nos sintamos de certa forma pouco acompanhados num projeto que é regional", admite lembrando que o Estádio Algarve foi construído com dinheiros comunitários, do Governo e das autarquias.Apesar de até ao momento a Associação de Municípios Faro/Loulé e a direcção do Parque das Cidades estarem a disponibilizar o estádio e as áreas contíguas para a realização de grandes eventos, o número de eventos não consegue dar o alívio financeiro que as autarquias desejariam. 

Fechar o Estádio não é opção 

Apesar de se mostrar preocupado com a situação do Estádio Algarve e com a falta de compromisso das restantes edilidades regionais perante esta estrutura que sublinha de âmbito regional, Seruca Emídio considera que encerrar o Estádio não é opção. "Do meu ponto de vista, fechar o Estádio traria mais custos que benefícios. Poder-se-ia diminuir a despesa imediata mas depois para voltar a pôr a funcionar seria muito mais complicado", explicou ao JA.Para já, os responsáveis começam a olhar com bons olhos as várias propostas nacionais e internacionais que têm recebido por parte de empresas que querem gerir e explorar o espaço. Sem querer adiantar muito sobre as propostas em causa, o edil explicou que os empresários pretendem realizar eventos desportivos e até musicais no espaço.O edil louletano diz que esta é uma opção que poderá ser viabilizada até ao final do ano e que consistirá na cedência do direito de exploração do Estádio com a garantia de utilização do espaço para os clubes concelhios e para a realização de eventos como o Rally de Portugal ou a Feira de Caça, Pesca e do Mundo Rural assim como a garantia de utilização dos recursos humanos afetos atualmente ao Estádio."Temos estado a analisar as propostas e temos de fazer um concurso público porque isto obedece a critérios públicos para fazer a gestão do Estádio", explicou Seruca Emídio.A situação poderá estar resolvida até ao final do ano até porque os próprios empresários se mostram ansiosos porque querem garantir a contratualização dos eventos que querem realizar cá no Algarve.O edil louletano, assegurou que este é um processo que está a ser negociado na presença da direcção do Parque das Cidades e que as garantias de trabalho para os trabalhadores daquele espaço serão asseguradas.