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Gazeta das Caldas

"Projectos de turismo na região poderão mudar a visão global que se tem do Oeste"

Os projectos de turismo que o Oeste possui para o futuro poderão mudar a visão global que se tem desta região. Esta a opinião de Faria de Oliveira, presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos que esteve nas Caldas a 24 de Fevereiro num encontro com clientes daquele banco.

Gazeta das Caldas aproveitou a iniciativa para conhecer melhor a relação daquela instituição de crédito com esta região que, nos últimos anos, "registou um grande progresso".

Os projectos de desenvolvimento turístico previstos para a região "poderão mudar a visão global que se tem do Oeste". Esta a opinião de

Faria de Oliveira, expressa durante a realização do Conselho Aberto da CG que se realizou no CCC. Segundo o ex-ministro do Comércio e Turismo (do tempo de Cavaco e Silva), na região destacam-se "vários pontos de atractividade nas áreas da cultura, lazer e até no turismo de negócios que são muito relevantes".

Aquele responsável diz que esta região do país possui várias áreas tradicionais que vêm do passado "e que se vão renovado", assim como possui novas empresas que apostam em novos sectores. Faria de Oliveira considera mesmo que "a região das Caldas-Leiria sofreu nos últimos anos um grande progresso".

A presença da CGD nas pequenas e médias empresas desta região "tem vindo a ser crescente". O administrador considera que na actualidade "se vive um momento muito importante em que o crescimento económico é fundamental e este não é possível se não houver investimento, ideias positivas e parcerias com a banca". Por isso, a Caixa tem um papel determinante "no apoio aos bons projectos de investimento, de modernização e de melhoria da competitividade das empresas".

Em seu entender, os bancos têm procurado apreciar a qualidade dos projectos que lhe são submetidos e ao longo destes dois últimos anos de crise "temos tido uma grande preocupação em ser construtivos na concessão de créditos, no sentido de apoiar as empresas e os particulares num momento mais difícil". Garante ainda que continuarão a adoptar uma política que seja "verdadeiramente amiga e construtiva" para a criação da riqueza.

O CCC foi o local escolhido para a realização da conferência que se realizou no âmbito e que teve como orador o economista Augusto Mateus que falou sobre a "Internacionalização e Competitividade da Economia Portuguesa".

A conferência foi assistida por cerca de 350 pessoas, tendo-se seguido um jantar onde participaram clientes particulares e empresários de Leiria e das Caldas.

Presentes estiveram ainda outros elementos do Conselho de Administração da CGD, como Noberto Rosa, Rudolfo, Lavrador, Araújo e Silva e Jorge Tomé.

Desta realização - que decorreu nos dias 23 e 24 de Fevereiro - fez parte uma visita a rede comercial e as estruturas que este grupo possui nas Caldas e em Leiria. Os responsáveis do Conselho de Administração da CGD visitaram 36 unidades de negócio (que incluíram 26 agências da Caixa, três gabinetes de empresas e sete agências da Império Bonança e da Fidelidade Mundial).

Clientes procuram novas ideias para aumentar o seu capital

"Nesta região temos 13 agências e um volume de negócios de 2 biliões de euros", disse Francisco Bandeira, vice-presidente da CGD e o responsável pela área Negócios daquele banco. A Caixa é o maior banco do sistema financeiro português e na zona das Caldas-Leiria "lidera claramente a área do crédito à habitação e do credito à construção". Já no crédito às empresas "ainda não lideramos, mas estamos a caminho da liderança", acrescentou.

A Caixa não tem apoio específicos para empresas exportadoras, "mas tem criado condições para estar mais perto dos seus clientes e dos mercados onde se instalam", disse, destacando a presença da CGD no Brasil, Angola e Moçambique. Neste já tem um banco comercial e aguarda autorização governamental para abrir um de investimento.

A CGD possui o BNU em Macau e também tem acordos preferenciais no Norte de África e linhas especiais de crédito para os países de Leste. "Procuramos que os nossos clientes possam aportar conhecimentos sobre estes mercados, connosco lá presentes", afirmou Francisco Bandeira, acrescentando que a Caixa está presente em, pelo menos, 23 países. "Somos o único banco português que tem uma rede comercial em Espanha, que é o principal mercado das nossas exportações", acrescentou Francisco Bandeira.

Questionado sobre o congestionamento do balcão da Rua Dr. Miguel Bombarda, onde os clientes esperam imenso tempo para serem atendidos (excepto os que têm acesso à Caixa Azul), o administrador da CGD diz que actualmente "está melhor do que estava a três ou quatro anos". No entanto, reconhece que há uma grande afluência de clientes, ironizando em seguida que "ninguém almoça num restaurante onde não vai ninguém".

E o que perguntam os clientes da CGD nestas iniciativas abertas?

Segundo o vice-presidente, a maior parte deles gosta de falar das suas vidas de negócios e buscam novas ideias e formas de financiamento por forma a fazer crescer o seu património.

Questionado sobre se a CGD tinha apoios específicos para o comércio tradicional, Francisco Bandeira diz que não. "Nós não segmentamos ou excluímos consoante a área em que os nossos clientes trabalham", respondeu.

Augusto Mateus defende ruralidade moderna para a região

O economista Augusto Mateus defende que o Oeste deve investir na ruralidade moderna. "Não se pretende agredir o mundo rural , mas perceber que este tem uma enorme capacidade de fazer futuro", disse o autor do Plano de Desenvolvimento Regional para o Oeste durante a conferência no CCC.

O orador considera que nas zonas rurais é possível "possuir casas mais amplas e com maior contacto com a natureza". Defende, por isso, melhores condições de vida para quem vive no mundo congestionado das grande urbes e que pode encontrar calma e descanso no mundo rural. "Quando queremos desenvolver um território, não basta pensar em empregos e residências" pois mesmo nas zonas rurais é preciso pensar na cultura, no conhecimento e na educação de modo a criar "um sitio atractivo para viver, investir e trabalhar".

Junto dos autarcas o economista tem defendido que as estradas secundárias que conduzem às freguesias "deveriam estar sujeitas a decoração paisagística, ser bonitas e ao serviço do turismo", disse.

O ex-ministro da Economia (de António Guterres) considera que é essencial esta zona "perder algumas visões mais locais e regionais" em especial numa altura em que é preciso "reflectir sobre os problemas e conhecer a dimensão dos desafios".

O orador falou sobre a "Internacionalização e Competitividade da Economia Portuguesa" e defendeu para o Oeste "o turismo ao serviço do desenvolvimento de um território".

O ex-governante acredita que a zona Oeste poderá inserir-se "numa grande região polarizada pela capital, que atravessa o Oeste e que chega ao médio Tejo". Essa zona poderia ter "um modelo de turismo sustentável baseado no património, na cultura, na animação, na natureza e nos seus produtos".