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Gazeta das Caldas

Ministra do Ambiente visita Lagoa de Óbidos e garante que as dragagens serão feitas ainda em 2010

"O desassoreamento da Lagoa de Óbidos não está em causa porque é considerado uma prioridade". A garantia foi dada na passada quarta-feira, na Foz do Arelho, pela ministra do Ambiente, Dulce Pássaro. O concurso para as dragagens deverá ser lançado durante o mês de Junho, estando neste momento a ser finalizado o caderno de encargos. A obra, com um valor de três milhões de euros, deverá arrancar em finais de Novembro e deverá compreender a dragagem de 500 mil metros cúbicos de areia. "A intervenção na lagoa é de grande magnitude, integrada e contemplando todos os aspectos", disse Dulce Pássaro, adiantando que este é um ecossistema "único e importante para a região e o país".

Gazeta das Caldas / Fátima Ferreira

Destacou que o INAG promoveu os estudos necessários, com meios próprios e especialistas nacionais e até recorrendo a apoio internacional com o LNEC, para que a intervenção fosse equilibrada, que contemplasse os aspectos da hidrodinâmica do ecossistema, da preservação das espécies que existem na lagoa e também a requalificação da sua envolvente.

"As verbas de intervenção ascendem a um montante global de 18 milhões de euros e é a prova provada que consideramos esta área prioritária e só podemos entrar numa intervenção séria e fundamentada", sustentou a ministra do Ambiente.

Dulce Pássaro mostrou a sua satisfação com o fim das obras de deslocalização da aberta antes da época balnear. Ao presidente da Câmara das Caldas a governante disse que a "praia estava melhor do que esperava com esta intervenção", explicando que teve receio que não fosse possível ter um areal com tanta extensão.

Foram colocados cerca de 120 mil metros cúbicos de areia, que foram retirados do local onde se fez a nova aberta, e cerca de 70 mil metros cúbicos da envolvente. "Não foi necessário ir buscar areia a mais lado nenhum", disse, mostrando a sua satisfação com o declive suave que encontrou na praia.

A obra do INAG demorou dois meses a realizar, tendo sido concluída na passada quarta-feira. A intervenção custou mais de 319 mil euros.

Presente na visita, o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, destacou que, com a mesma "clareza" com que no princípio do ano alertou para os problemas da lagoa, quis agora dizer que está "satisfeito porque foi feito o mínimo necessário para a praia funcionar".

Câmara de Óbidos prepara estudo alternativo para colocação de dragados

A Câmara de Óbidos não concordou com a alternativa para a colocação de dragados apresentada pela Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e vai apresentar uma outra proposta ao secretário de Estado do Ambiente, que prevê a colocação dos sedimentos em dois locais, um no concelho das Caldas e outro no de Óbidos.

Pedro Bettencourt, da empresa Nemus - autora do estudo de impacto ambiental das dragagens na lagoa e da proposta a apresentar ao governo - explicou que o que está em aberto é a deposição temporária dos dragados, dado que estes saem da lagoa com uma grande quantidade de água e depois têm que ser secos antes de ser transportados para um local definitivo.

A alternativa encontrada (em contraponto à escolhida pela AIA que defendia a colocação total nos terrenos junto ao Arelho) coloca metade dos dragados junto ao estuário do Rio Real e outra na margem do Braço da Barrosa.

"O argumento principal baseia-se nos problemas de cheias que existem nos Rios Arnóia e Real e que levam a que muitas vezes seja preciso romper as margens do rio para permitir o escoamento rápido das cheias que estariam a inundar a zona baixa de Óbidos", explicou.

Respondendo às preocupações apresentadas pelo presidente da Câmara das Caldas, sobre a proximidade de linhas de água no Braço da Barrosa, Pedro Bettencourt considera que o local não oferece perigo, dado que as cotas são mais altas.

"Outra vantagem é gerir quantidades muito mais pequenas", referiu. No total está previsto dragar cerca de 1,5 milhões de metros cúbicos, metade são sedimentos arenosos e a outra metade são lodos. Os 750 mil metros cúbicos de lodo são os mais preocupantes e terão que ser secos durante um a dois anos.

De acordo com o presidente do INAG, Orlando Borges, esta alteração "não irá atrasar em nada as dragagens".

No Bom Sucesso Telmo Faria mostrou a Dulce Pássaro as obras que estão a decorrer na Aldeia dos Pescadores e defendeu a importância que a Lagoa tem a nível social e económico para a população das zonas limítrofes, deixando o convite para que a governante participe numa iniciativa aberta com a população.

Nesta deslocação, a ministra inaugurou um percurso pedonal de 13 quilómetros na Foz do Arelho e tomou conheceu as obras de requalificação da Aldeias dos Pescadores, no Bom Sucesso.