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Gazeta das Caldas

Linha do Oeste representa quase 13% das mercadorias transportadas pela CP Carga

Ao contrário do transporte de passageiros, o de mercadorias na linha do Oeste tem vindo a subir e representa hoje 13% da carga transportada pela CP. Cimentos, cereais e farinhas são os produtos mais transportados. Mas a empresa queixa-se que não consegue ser mais competitiva enquanto a linha não for modernizada.

Gazeta das Caldas / Carlos Cipriano

Imagine o leitor que em 2008 teriam circulado na A8, mais 52.600 camiões do que aqueles que, na realidade, ali passaram. Ou seja, que, em média, em cada dia útil teria havido mais 202 camiões na auto-estrada.

Imagine a quantidade de CO2 que teria sido emitido para a atmosfera e os inconvenientes de um tão elevado número de veículos pesados em termos de congestionamento do trânsito e de probabilidade de acidentes.

Pois foi um tráfego equivalente a 52.600 camiões aquele que a CP transportou na linha do Oeste em 2008. Nesse ano a CP Carga realizou 2.954 comboios de mercadorias com origem na linha do Oeste e 3.022 circulações idênticas com destino a estações desta linha, transportando um total de 1.320 milhões toneladas de mercadorias.

É certo que nas Caldas da Rainha apenas passam dois comboios de mercadorias por dia (um em cada sentido), que atravessam a linha do Oeste de ponta a ponta entre Lisboa e Pampilhosa. Mas há outras composições que têm origem e destino no Ramalhal (que se transformou num entreposto de cereais, rações e farinhas), Outeiro (produtos cerâmicos), Pataias e Martingança (cimentos) e Louriçal (madeira e pasta de papel).

Tudo isto representou no ano passado para a CP Carga uma facturação de 8 milhões de euros, o que significa 10% da receita total na tráfego de mercadorias da transportadora pública.

Na linha do Oeste a empresa tem cerca de 20 clientes activos, responsáveis pelo transporte de produtos cerâmicos, pasta de papel, contentores, rações, cimento, madeira, cereais, balastro e brita.

"Este é um eixo que para a CP Carga jamais será desprezível, antes pelo contrário", disse à Gazeta da Caldas fonte oficial da empresa que, contudo, refere os "elevados constrangimentos desta infra-estrutura, somente de via única em toda a sua extensão e com um sistema de sinalização de geração passada".

A existência de via única é a primeira das limitações porque, de acordo com a CP, encarece a operação devido às restrições provocadas pela coabitação com outros serviços (passageiros), que tornam os tempos de percurso muito lento e aumentam os custos com manobras, gestão e parqueamento do material circulante.

"A linha do Oeste modernizada, onde depositamos uma enorme esperança da eventual electrificação, seria sem sombra de dúvida sinónimo de mais competitividade, isto é, transporte ferroviário mais barato e mais fiável", disse a mesma fonte.

 

CP Carga já é sociedade anónima

A CP decidiu transformar a sua unidade de negócios para o transporte de mercadorias numa empresa autónoma, com maior flexibilidade de gestão. A CP Carga S.A. começou a operar no início de Agosto e tem um capital social de 5 milhões de euros que pertencem à empresa mãe CP. De momento, não está previsto a sua abertura a privados.

A nova empresa herda uma estrutura de custos muito pesada e deverá continuar a dar prejuízos (tal como acontecia com a unidade de negócios) pelo menos até 2014, altura em que os seus responsáveis esperam poder apresentar lucros.

Esta autonomização do transporte ferroviário de mercadorias é também uma resposta da CP ao novo operador privado Takargo (que pertence ao grupo Motal Engil) e que, em menos de um ano, opera já dezenas de comboios regulares de mercadorias em Portugal e entre Portugal e Espanha.

Na linha do Oeste a Takargo iniciou em Julho uma operação com dois comboios por semana, nos dois sentidos, entre Setúbal e Martingança. Em Setembro este serviço deverá passar a ser diário.