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Gazeta das Caldas

Governo suspende modernização da linha do Oeste por causa da crise

As restrições à despesa pública, no âmbito do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), levaram a Refer a propor ao governo que não se avançasse já com a modernização da linha do Oeste.

Gazeta das Caldas / Carlos Cipriano / Fátima Ferreira

A empresa gestora de infra-estruturas ferroviárias tinha inscrita no seu plano de investimentos uma verba de 127,7 milhões de euros para afectar à linha do Oeste até 2016, dos quais 8,5 milhões seria investidos já este ano, 40 milhões no próximo ano e 48,5 milhões em 2012.

Apesar da empresa, com o seu habitual secretismo, nunca ter divulgado o projecto, Gazeta das Caldas apurou que esse investimento se centrava na electrificação e instalação de sinalização electrónica, não estando contemplada qualquer variante da Malveira a Lisboa que tornasse realmente o Oeste mais próximo da capital através do modo ferroviário.

Além deste projecto, praticamente todos os investimentos previstos para arrancar este ano, foram suspensos pela Refer, alguns dos quais já se encontravam com concursos públicos concluídos e em fase de adjudicação dos trabalhos.

A Refer informou ainda o governo que um estudo destinado a avaliar a rentabilidade da linha transversal Caldas da Rainha - Rio Maior - Santarém concluiu pela sua não viabilidade. Gazeta das Caldas pediu à empresa uma cópia desse documento, mas não obteve qualquer resposta.

Tanto a modernização da linha do Oeste como a via férrea de Santarém às Caldas, tinham sido promessas acordadas e assinadas entre o governo e os municípios da OesteCIM.

"Será a maior fraude que o governo pode cometer em toda a região"

"Não quero acreditar na informação de que não haverá modernização da Linha do Oeste. Será a maior fraude que o governo pode cometer em toda a região". Foi esta a reacção do presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, que lembrou ter sido este investimento prometido pelo governo como a melhor compensação pela deslocalização do aeroporto da Ota para Alcochete.

O autarca considera que a construção da linha transversal Caldas da Rainha - Rio-Maior - Santarém também era importante, embora defenda que a Linha do Oeste seja mais prioritária.

"Era a obra mais necessária e emblemática", disse o autarca, que acreditou na sua concretização quando foi incluída no plano de compensações.

O autarca caldense lembra que num programa televisivo "Prós e Contras" sobre a mudança de localização do aeroporto teve oportunidade de dizer publicamente que tinha as "maiores reservas" sobre o cumprimento das promessas e que estas nunca seriam uma verdadeira compensação para o Oeste. "Na altura nem todos os autarcas concordaram com o meu ponto de vista, mas o tempo veio a dar-me razão", salientou.

"Só quem acreditou pode ficar desiludido"

O presidente da Câmara de Óbidos diz que "só quem acreditou no que se estava a fazer pode hoje estar desiludido", ironizando que "houve até quem achasse que eu estava a fazer uma birra, mas, pelos vistos, eu não tinha razão e tudo se vai fazer".

Telmo Faria diz ainda que quem estrutura, como esta autarquia o faz ao nível do turismo, nas tecnologias ou na sustentabilidade, "não pode ficar satisfeito com essas decisões".

Já o presidente da Câmara do Bombarral, José Manuel Vieira, salienta que sem a modernização daquele corredor ferroviário "nunca teremos um serviço regular que sirva em boas condições os seus passageiros e os interesses económicos do Oeste".

Este autarca considera que a economia local, as condições sociais e a vida da população em geral "estão a ser irremediavelmente afectados e prejudicados" com os atrasos da requalificação, defendendo que este é um investimento estratégico para o Oeste e de importância prioritária para a população e desenvolvimento global.

"O governo, ao virar as costas a este investimento, está a inviabilizar uma parte substancial da dinâmica que precisamos para impormos nos mercados exteriores o nosso potencial histórico, turístico e cultural e atrairmos o interesse dos investidores privados", disse.

Já o presidente da Câmara de Torres Vedras, Carlos Miguel, disse que só quando tiver a confirmação oficial da informação avançada pela Gazeta das Caldas dará o seu comentário.

Não foi possível obter até ao fecho desta edição um comentário do presidente da OesteCIM, Carlos Lourenço.