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Gazeta das Caldas

Festa da República assinalada na escola Raul Proença nas Caldas da Rainha

Um sobreiro (espécie da fauna mediterrânica), é a árvore da República nas Caldas da Rainha. A plantação foi feita no jardim da Escola Secundária Raul Proença, na manhã de 22 de Março e pretendeu assinalar as comemorações do Dia Mundial da Árvore e da Floresta associadas ao programa do Centenário da República.

Gazeta das Caldas - Fátima Ferreira

Uma encenação feita por alunos do terceiro ano do curso profissional de animador sócio-cultural, marcaram o início das comemorações, juntando no pátio da escola perto de uma centena de alunos e professores. Depois, os responsáveis da escola, autarquia e Associação Património Histórico PH - Grupo de Estudos, participaram na plantação de um sobreiro no jardim daquele estabelecimento de ensino, que lembrará a efeméride.

A iniciativa, denominada, "Árvore do Centenário" foi replicada em todas as escolas do concelho, com o objectivo de assinalar a data e lembrar o papel dos valores republicanos na consolidação das questões em torno da arborização e vegetação no seio da sociedade da altura.

O director da escola, José Pimpão, partilhou o exemplo de Artur Sangreman Henriques que recusou a pensão que lhe havia sido atribuída pela Assembleia Constituinte no quadro da promoção de sargentos a oficiais pelos serviços prestados no movimento revolucionário de 5 de Outubro. Esta recusa teve como motivo a grave situação financeira vivida no país e por considerar que a promoção de que foi alvo já era uma recompensa. "Este é um ideal republicano, que também está ligado à Democracia", disse o responsável pela escola.

De acordo com Isabel Xavier, presidente do PH, o republicanismo, mais do que uma mudança de regime ou de projecto politico, é uma mundividência. "Os republicanos acreditavam que podia ser criado um homem novo", afirmou a também professora de História, destacando a educação como um dos desígnios fundamentais da República, a par da cidadania e das questões sociais.

Isabel Xavier explicou ainda que os republicanos defendiam a laicização, pois consideravam que o grande problema da sociedade era a crença na religião. Profundamente anti-clericais, os republicanos, após o 5 de Outubro de 1910 "acabaram com os feriados religiosos, mas criaram feriados novos", explicou Isabel Xavier, dando como exemplo o Dia da Bandeira (1 de Dezembro) ou Dia da Família (25 de Dezembro).

A responsável pela associação PH - que coordena o programa das Comemorações do Centenário da República no concelho - fez ainda saber que ao comemorar esta efeméride está-se a presentear e a trazer para a rua um debate "que é fundamental".

Também presente na iniciativa, o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, lembrou a figura do republicano Francisco Grandella, que construiu duas escolas no concelho, numa altura em que muito poucos sabiam ler e escrever.

Dirigindo-se aos alunos, o autarca pediu-lhes que respeitassem a árvore agora plantada, pelo simbolismo da data e pela sua importância a nível ambiental.

Plantar mil árvores por ano no concelho

Paralelamente à "Árvore do Centenário", a Câmara das Caldas prossegue com a medida iniciada no ano passado, designada Mil Árvores Por Ano, que consiste na distribuição de árvores e arbustos pelos estabelecimentos de ensino e juntas de freguesia.

Os munícipes que estejam interessados em plantar algumas espécies em espaços públicos ou privados podem contar com duas árvores por pessoa, devendo dirigir-se, até às 17h00 de hoje, 26 de Março, à secção de jardinagem, junto às oficinas da Câmara Municipal (S. Cristóvão).

As plantações serão sobretudo de espécies autóctones, como o carvalho português e o sobreiro.